Aumenta o descontentamento com as relações laborais

15 de agosto 2010 - 3:28

Um estudo do Observatório Português de Boas Práticas Laborais regista uma grande subida de opiniões negativas sobre as relações laborais em Portugal. Autores e sindicatos justificam-na com a falta de diálogo por parte do governo, o aumento do desemprego e o alastrar da precariedade laboral.

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O estudo diz que o número de trabalhadores portugueses que considera “negativo” o estado actual das relações laborais aumentou 6,8 pontos percentuais face a janeiro, para 43,3 por cento. Foto Paulete Matos

O estudo foi elaborado em julho pelo Observatório Português de Boas Práticas Laborais (OPBPL),  apoiado pela União dos Sindicatos Independentes e com base numa “amostra representativa da população portuguesa”. A conclusão diz que o número de trabalhadores portugueses que considera “negativo” o estado actual das relações laborais aumentou 6,8 pontos percentuais face a janeiro, para 43,3 por cento.



Paulo Pereira de Almeida, coordenador do estudo, afirmou à agência Lusa que “este é um sinal de alerta para o Governo relativamente às posições que tem assumido ao longo das duas legislaturas no diálogo com os sindicatos”, designadamente à sua “postura pouco dialogante, muitas vezes refractária”. A comprová-lo está outro dado do estudo, relativo às respostas acerca dos aspectos mais importantes das relações laborais. Se o factor mais votado em janeiro era a "igualdade de oportunidades", em julho passou a ser a "comunicação e o diálogo", referida por 16% dos inquiridos.



Para o coordenador do OPBPL, existe “uma percepção, da parte dos trabalhadores, de que à actual crise e ao aumento do desemprego poderá estar associado um aumento da conflitualidade social”. Uma opinião partilhada por Maria do Carmo Tavares, da comissão executiva da CGTP, ao afirmar que “nunca houve tanta falta de diálogo social como na actualidade".

"Fala-se muito do diálogo, mas há uma governamentalização em relação a esta matéria: Há diálogo quando o Governo quer, mas é só para o ‘show off’, porque no concreto os ministérios não dão respostas e as reuniões [de concertação social] são praticamente improdutivas”, afirmou a sindicalista, acrecentando que “o quadro a nível laboral é bastante preocupante” em Portugal, até porque “a atitude do Governo também se transpõe para o patronato” e “dá-lhe força”.



O líder da UGT aponta as mesmas questões para justificar o descontentamento dos trabalhadores em 2010. “O clima de descontentamento é devido ao elevado nível de desemprego, de precariedade laboral e de insegurança no emprego. Acho que estes são os três fatores centrais que hoje se sentem no mundo de trabalho”, afirmou João Proença à agência Lusa.