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Ártico: Ritmo de aquecimento tem sido o dobro da média

As temperaturas elevadas que se registam no Ártico têm sido impulsionadas pelo “círculo vicioso” das alterações climáticas.
A redução do gelo no oceano Ártico pode ser atribuída às alterações climáticas, dizem os investigadores. Foto Mapas do Ártico
A redução do gelo no oceano Ártico pode ser atribuída às alterações climáticas, dizem os investigadores. Foto Mapas do Ártico

Um grupo de cientistas revelou que a temperatura acima do gelo polar tem excedido a média entre nove a 12 graus Celsius nas últimas quatro semanas, segundo dados dados registados pelo Instituto Meteorológico Dinamarquês (DMI).

Martin Stendel, investigador das alterações climáticas no DMI, em Copenhaga, afirmou que ao longo de vários dias da última semana, as temperaturas no Pólo Norte estiveram nuns balsâmicos 0ºC, que representam 20ºC acima dos níveis típicos de meados de novembro.

Stendel disse à France Press que “esta é de longe a temperatura mais elevada” na era da informação recolhida por satélite, que começou em 1979, tendo acrescentado: “O que estamos a ver é muito raro.”

De acordo com aquele investigador, nesta altura do ano, o oceano Ártico, aberto e exposto pela fusão do gelo durante o verão, deveria estar a congelar outra vez, com milhares de quilómetros quadrados a congelar em cada dia.

Stendel explicou que “não é só o gelo não está a crescer como deveria normalmente, como está a continuar a haver fusão devido ao ar quente que está a chegar”.

Entre as razões que estão na base do sobreaquecimento do Ártico desde finais de Outubro, os investigadores referem aquele que provoca a deslocação dos ventos quentes provenientes da Europa Ocidental e da costa ocidental de África.

Valerie Masson Delmotte, cientista no Laboratório de Ciências Ambientais e Clima, de Paris, disse que “os ventos que trazem este calor são um temporário – e totalmente inédito – fenómeno meteorológico”.

Efeito das alterações climáticas

Um segunda razão está relacionada com o El Niño, embora o principal contributo venha das alterações climáticas, sublinharam os cientistas.

Ed Blockley, cientista principal do Grupo do Clima Polar, integrado no Serviço de Meteorologia - Met Office - britânico, disse, por seu turno, que “a tendência de longo prazo de redução do gelo no oceano Ártico pode ser atribuída às alterações climáticas”.

As alterações climáticas de responsabilidade humana, causadas pelos gases com efeito de estufa, estiveram na origem da subida da temperatura média da superfície terrestre em 1ºC desde a era pré-industrial.

No Ártico, o ritmo do aquecimento tem sido o dobro da média, o que para os especialistas tem ligação com o círculo vicioso designado pelos cientistas por “retroação positiva” (“positive feedback”).

Refira-se ainda que a cobertura de gelo no chamado topo do mundo encolheu para sua área mais pequena em 2016 no dia 16 de setembro, com 4,14 milhões de quilómetros quadrados.

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