Quase três centenas de pessoas foram detidas nos últimos dias na Arábia Saudita, numa operação apresentada oficialmente como dirigida à “corrupção financeira e administrativa, incluindo crimes de suborno, desvio de fundos e má administração de fundos públicos”. Entre os detidos estavam atuais e antigos militares, agentes de segurança, juízes e funcionários do setor da Saúde. Os atos suspeitos de corrupção teriam custado ao estado saudita cerca de 100 milhões de euros.
Para o vice-diretor da Human Rights Watch para o Médio Oriente, “a luta anticorrupção não pode servir de desculpa para violações flagrantes da lei nem para impedir o direito à defesa” dos acusados. “Dado o historial destas violações, as autoridades sauditas devem fazer grandes reformas ao sistema judicial para assegurar que os acusados não serão conduzidos para processos judiciais injustos”, prosseguiu Michael Page.
A operação seguiu-se a uma nova purga efetuada no início do mês, com prisões de mais de uma dezena de príncipes sauditas, incluindo Ahmed bin Abdulaziz, irmão do rei Salman e conhecido dissidente, e o titular de uma das mais altas patentes das forças armadas sauditas, Nayef bin Ahmed bin Abdulaziz, responsável pelos Serviços de Informação do exército. Segundo o portal Middle East Eye, sobre eles recaiam suspeitas de estarem a preparar um golpe contra o príncipe Mohammed bin Salman, que em seguida os obrigou a tweetarem mensagens a prometerem-lhe lealdade.
Na memória de todos está a anterior purga de 2017, quando o príncipe Mohammed bin Salman mandou prender a elite empresarial do país no hotel Ritz Carlton, libertando-os depois a conta-gotas à medida que assinavam documentos em que entregavam boa parte da fortuna que tinham acumulado. Alguns dos presentes denunciaram depois que o haviam feito sob tortura. Um comunicado do tribunal real afirmou na altura que tinham sido recuperados mais de 100 mil milhões de dólares.