Poucas horas após a prisão de Jesus Murillo Karam, um juiz emitiu mais 83 ordens de prisão para soldados, polícias, oficiais de Guerrero e membros de gangues, informou o gabinete do procurador-geral.
Durante o seu mandato de 2012-2015, sob o regime do então presidente Enrique Peña Nieto, Jesus Murillo Karam supervisionou a investigação altamente criticada sobre o desaparecimento dos alunos em 26 de setembro de 2014 da escola de professores rurais de Ayotzinapa.
Os restos mortais de apenas três alunos foram encontrados e identificados, e as perguntas permaneceram sem resposta desde então. Especialistas internacionais defenderam que a investigação oficial está repleta de erros e abusos, incluindo a tortura de testemunhas, prisão imprópria e manuseamento incorreto de provas que resultaram na libertação de muitos dos membros de gangues diretamente implicados.
O atual governo de Andrés Manuel López Obrador tem ainda, nos últimos dois anos, tentado prender Tomas Zeron, ex-diretor da extinta Agência de Investigação Criminal, inclusive, pedindo a Israel no ano passado que o extraditasse.
A prisão de Jesus Murillo Karam ocorre um dia após a comissão da verdade nomeada pelo governo mexicano ter declarado que se trata de um “crime estatal”, com envolvimento de autoridades locais, estaduais e federais.
O ativista Alejandro Encinas explicou, em conferência de imprensa, que “autoridades governamentais e grupos criminosos” foram responsáveis pelo desaparecimento dos estudantes. Encinas adiantou ainda que os níveis mais altos do governo de Peña Nieto estiveram envolvidos no encobrimento das ligações entre autoridades e criminosos.
O advogado dos pais dos alunos de Ayotzinapa, Vidulfo Rosales, pediu ao governo que proceda a mais prisões. “Ainda falta muito para que possamos pensar que este caso foi resolvido”, afirmou Rosales em declarações à televisão mexicana.