Antigo conselheiro do FMI para a Europa bate com a porta

21 de julho 2012 - 13:16

Ao fim de 20 anos ao serviço do FMI, Peter Doyle diz-se "envergonhado" de lá ter entrado e acusa o Fundo de incompetência e de ter ignorado os avisos sobre a crise do euro e da finança global.

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Foto francediplomatie/Flickr

"As consequências [do falhanço do FMI] incluem  o sofrimento (e o risco de que o pior esteja para vir) para muitos, incluindo a Grécia", diz o antigo chefe de divisão do Departamento Europeu do FMI, que é responsável pela aplicação dos memorandos em Portugal, Grécia e Irlanda.



“Após 20 anos de serviço, estou envergonhado de alguma vez ter tido qualquer associação com o Fundo”, afirma Doyle na carta de despedida em que não poupa os responsáveis máximos pelo Fundo escolhidos nos últimos anos. “Até a atual titular do cargo está contaminada, uma vez que nem o seu género, integridade ou elã podem compensar a fundamental ilegitimidade do processo de seleção”, acrescenta.



Para Doyle, o desastre das nomeações para liderar o fundo acaba por contaminar toda a organização, através da entrada de pessoal com o mesmo critério, dando origem a um "Fundo manietado, sujeito aos que estão na origem do falhanço na vigilância, que é o que o Comité Executivo prefere".



O economista acusa ainda o Fundo de deixar passar os avisos que recebeu sobre a iminência da crise financeira global e os riscos para a zona euro, corresponsabilizando-o pela dimensão da atual crise na Europa.