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ANA e Portway querem eliminar mais 355 postos de trabalho

Desde o início da crise, já saíram da Portway cerca de 700 trabalhadores. Agora, o grupo Vinci , que detém ambas as empresas, pede ao governo autorização para fazer mais 355 rescisões amigáveis. Em 2020, o grupo distribuiu 1,1 mil milhões de euros em dividendos.
Desde a privatização da ANA em 2013, a empresa registou um ganho operacional acumulado de 1174,5 milhões de euros. Foto de António Cotrim, Lusa.
Desde a privatização da ANA em 2013, a empresa registou um ganho operacional acumulado de 1174,5 milhões de euros. Foto de António Cotrim, Lusa.

A ANA e a Portway, do grupo francês Vinci, pediram ao governo o estatuto de “Empresa em Reestruturação” para aumentar as rescisões voluntárias em mais 355 trabalhadores, noticiou o Expresso esta quinta-feira. A empresa concessionária e a de handling dos aeroportos portugueses, Ana e Portway, foram adquiridas pelo grupo francês Vinci com a privatização de 2013, ficando com o monopólio de todos os aeroportos no continente e regiões autónomas.

As empresas que recorreram ao lay-off simplificado criado ao abrigo dos decretos de emergência face à crise pandémica, não podiam depois despedir trabalhadores, mas podiam chegar ao que o governo considerava “acordos amigáveis” para eliminar postos de trabalho. Para tal, foi definida uma quota correspondente a 20% do quadro de pessoal em três anos em empresas com mais de 250 trabalhadores, com limite de 80 funcionários por triénio.

É esta quota que o grupo Vinci pretende agora aumentar para afastar mais 350 trabalhadores através de rescisões amigáveis, 105 da ANA e 150 da Portway, isto depois de ter despedido já 700 trabalhadores desde o início da crise pandémica.

As perdas geradas pela pandemia nos setores de aviação e turismo são as justificações avançadas pelo grupo, que prevê uma recuperação de atividade do setor ao nível de 2019 apenas em 2024. Isso não impediu o grupo Vinci de distribuir 1,1 mil milhões de euros em dividendos em 2020, um valor em linha com anos anteriores e que será reforçado em 2021.

Desde a privatização da ANA em 2013, por 3.080 milhões de euros por um período de 50 anos, a empresa registou um ganho operacional acumulado de 1174,5 milhões de euros, quatro vezes acima das previsões estimadas aquando da privatização. No mesmo período, a ANA investiu menos 87 milhões de euros nos aeroportos portugueses face ao que estava contratualmente previsto na concessão, e aumentou exponencialmente as taxas aeroportuárias por cada passageiro.

O recurso a subterfúgios legais para eliminar postos de trabalho em setores de forte atividade a médio e longo prazo é utilizado por grandes empresas para precarizar a sua força de trabalho, contratando novos trabalhadores com contratos precários assim que a retoma é evidente.

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