Dezenas de amas profissionais estiveram concentradas esta quinta-feira junto ao Instituto da Segurança Social do Porto, em protesto contra a nova lei que regula a sua profissão. Depois do parlamento ter aprovado a proposta do ministro Mota Soares, as amas da Segurança Social, que trabalham nalguns casos há décadas a falso recibo verde para o Estado, poderão ter de deixar de trabalhar. É que o pagamento passa a ser feito pelas famílias ou pelas instituições particulares de solidariedade social (IPSS).
"Só pretendemos que as amas tenham direito ao trabalho. E não é isso que está acontecer: as da Segurança Social vão já para o desemprego e o mesmo vai acontecer a muitas amas que trabalham para as IPSS, porque, estas, ao não serem comparticipadas, farão alguns contratos, mas só com as mais novas. Daí que as mais velhas vão ficar sem contrato individual de trabalho", explicou Paula Melo.
São quase 1500 amas que ficam ameaçadas com a nova lei de irem para o desemprego, disse à agência Lusa a presidente da APRA - Associação dos Profissionais no Regime de Amas - que convocou este protesto no Porto.
"Só pretendemos que as amas tenham direito ao trabalho. E não é isso que está acontecer: as da Segurança Social vão já para o desemprego e o mesmo vai acontecer a muitas amas que trabalham para as IPSS, porque, estas, ao não serem comparticipadas, farão alguns contratos, mas só com as mais novas. Daí que as mais velhas vão ficar sem contrato individual de trabalho", explicou Paula Melo.
Como as amas da Segurança Social tratam sobretudo de crianças carenciadas, a transferência da responsabilidade do pagamento do seu salário para as famílias coloca-as numa situação muito precária, já que o Governo anunciou também no Orçamento para 2015 mais cortes nos apoios sociais.
"Se as famílias não tiverem o apoio do Estado, não conseguem pagar-nos. Portanto, se a profissão for liberalizada, não aceito porque não tenho condições para continuar", afirmou Angelina Peixoto, uma das amas presentes na concentração.
"Este protesto é para que não acabem as amas da Segurança Social. Querem que passemos a ter o contrato com os pais. Isto vai afectar as crianças, porque até aqui os pais não pagavam nada, e, no meu caso, já me disseram que se é para pagar, vão embora”, disse à Lusa outra ama, Maria da Conceição Monteiro, com 24 anos de profissão.
A Associação de Cobate à Precariedade - Precários Inflexíveis, que acompanha há anos as lutas das amas da Segurança Social, esteve presente no protestoe considera "uma vergonha" este possível despedimento colectivo causado por uma medida que "já está a deixar as crianças de famílias pobres sem um apoio que é essencial".