Amadora: artista excluída de comemoração do 25 de Abril, Bloco questiona Câmara

05 de abril 2023 - 15:35

O Bloco quer que a autarquia esclareça os motivos para afastar a criadora depois das acusações de xenofobia. Amanda Baeza tem dupla nacionalidade, portuguesa e chilena, e diz que foi afastada um projeto sobre a revolução dos cravos por alegadamente não ser portuguesa.

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O caso foi conhecido quarta-feira passada. Amanda Baeza declarou à Lusa que tinha sido convidada no início do mês pela Câmara Municipal da Amadora e pelo Festival de Banda Desenhada AmadoraBD para integrar o “25 de Abril fora de portas!”, um projeto artístico comemorativo do 25 de Abril que consistia na criação de ‘outdoors’ com ilustrações originais de artistas portugueses. Segundo a autora, depois de ter assinado uma “minuta para o procedimento de adjudicação” foi informada da exclusão.

Baeza conta que lhe “fecharam a porta, sem me darem a oportunidade de falar sobre o assunto ou esclarecer a minha situação”. Ela, esclarece, nasceu em Portugal em 1990 e passou parte da infância no Chile, tendo regressado ao país aos dez anos, aqui estudado e vivendo há mais de vinte anos. É detentora de dupla nacionalidade, sendo “filha de pai chileno, nascido no Chile, e mãe portuguesa, nascida em Angola”. “Sou chilena, sim, mas também sou portuguesa. Havendo dúvidas, resolvia-se falando comigo. A decisão não é correta”, lamenta.

Mas para além disso, acrescenta, defende que “ninguém deveria ser excluído da opção de celebrar uma data considerada tão importante não só para Portugal, como também para o mundo pelo que representa, ou que deveria representar” e que “devido ao passado colonial e imperialista deste país, não deveria ser segredo nem surpresa aceitar-se que existem muitos portugueses nascidos em outros ‘territórios’ que não Portugal continental, e não deveriam por isso deixar de ser considerados portugueses”.

Face a isto, o Bloco de Esquerda da Amadora instou a autarquia de forma a descartar motivos xenófobos para este afastamento. Num requerimento enviado ao presidente da Assembleia Municipal da Amadora, pede-se o esclarecimento das “duas versões contraditórias” sobre o que se passou, depois da presidente da autarquia, Carla Tavares ter declarado numa reunião desse órgão, em resposta ao Bloco, que as declarações de Baeza seria “improcedentes”, que a artista já tinha participado em outras atividades do município e que o único motivo pelo qual a Câmara a excluiu a teria sido a entrega da candidatura fora de prazo.

O partido considera que, uma vez que a alegação da artista “remete para motivos de ordem discriminatória e xenófoba, deveria a Autarquia, na pessoa da sua presidente prestar um esclarecimento com base em evidência aos munícipes da Amadora. É preciso eliminar qualquer acto ou prática que remetam para casos de discriminação ou xenofobia, em todas as esferas da vida e nas instituições”.

Pretende-se que a autarquia informe ainda se o prazo que alegadamente teria sido quebrado foi comunicado à artista e em que data a sua candidatura foi apresentada.

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