Afeganistão: em dois dias morreram 12 soldados da NATO

08 de junho 2010 - 19:46

Segunda-feira foi o dia mais sangrento desde há vários meses para as forças internacionais no Afeganistão, dia em que foram mortos 10 soldados da NATO. Esta terça-feira morreram mais 2 devido à explosão de uma bomba artesanal no sul do território.

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Duzentos e quarenta e sete soldados, dos quais cerca de dois terços norte-americanos (154), morreram no Afeganistão desde 1 de Janeiro deste ano. Foto LUSA/EPA/Humayoun Shiab

Dois soldados da NATO morreram esta terça-feira devido à explosão de uma bomba artesanal no sul do Afeganistão, anunciou o comando das forças internacionais. A nacionalidade dos dois soldados não foi divulgada pela Aliança Atlântica.

Estas duas mortes ocorrem um dia depois da morte de dez soldados, sete norte-americanos, dois australianos e um francês, em ataques no sul e no leste do país.

No pior ataque de segunda-feira, cinco soldados americanos morreram numa explosão de um engenho improvisado no Leste do país. Entre os outros cinco soldados mortos, um deles era um graduado francês, vítima do disparo de um "rocket" também na zona oriental do Afeganistão. As restantes baixas, devem-se à explosão de minas artesanais e de tiros de armas ligeiras.

Os dois militares australianos que treinavam tropas afegãs, foram mortos na explosão de uma bomba artesanal colocada à beira da estrada quando faziam uma patrulha na província de Oruzgan (sul), reduto talibã. Com estas duas baixas, eleva-se a treze o número de soldados australianos mortos no Afeganistão.

Duzentos e quarenta e sete soldados, dos quais cerca de dois terços norte-americanos (154), morreram no Afeganistão desde 1 de Janeiro deste ano.

Outros dois estrangeiros morreram esta segunda-feira em ataques levados a cabo pelos talibã: eram ambos empregados de uma empresa privada morreram num ataque suicida contra um centro de treino de polícia em Kandahar, a cidade-bastião dos talibã onde as tropas da NATO se prepararam para levar a cabo uma grande ofensiva este Verão.

Só em Agosto de 2008, o número de baixas tinha sido assim tão pesado, ao ser atingido um grupo de onze soldados franceses. A Aliança está no Afeganistão há precisamente nove anos.

Mais de metade das vítimas destes recentes ataques são soldados norte-americanos, e isto sabe-se numa altura em que justamente devem chegar ao terreno mais 35 mil homens dos Estados Unidos, aumentando para 100 mil o número de tropas enviadas pela Casa Branca.

A ideia é preparar a maior das operações de ataque na província de Kandahar, considerada o coração das forças talibã, e a questão, para muitos observadores internacionais, é saber se há condições para travar esta batalha até ao fim.

O presidente Hamid Karzai conseguiu, na semana passada, o acordo dos talibã para negociar, mas a condição é a retirada das tropas da NATO.

Entretanto, os protestos da opinião pública também aumentaram de tom.