Administração do Fórum Viseu continua a ignorar reivindicações de 156 trabalhadores

08 de maio 2023 - 15:00

Reivindicações sobre encerramento do espaço no domingo de Páscoa, reajustamento de horários e existência de um espaço para a alimentação dos trabalhadores, entre outras matérias, continuam a ser ignoradas, e não existe qualquer abertura para o diálogo.

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Foto Wikimedia Commons, autor Joehawkins.

Há cerca de um mês, 156 trabalhadores do Fórum Viseu subscreveram uma petição em que reafirmam o seu direito constitucionalmente consagrado à vida familiar e social, ao descanso e ao lazer, e exigem que os dias de festa, como a véspera de Natal e Páscoa, passem a ser de horário reduzido ou de encerramento total de todo o comércio.

Apesar de não ter uma palavra a dizer aos trabalhadores da superfície comercial, a administração do Fórum Viseu garantiu, em declarações ao Jornal do Centro, datadas de 13 de abril, que mantinha “uma postura de diálogo aberto com os seus lojistas e com os seus funcionários”.

Perante a insistência dos trabalhadores, que enviaram nova missiva a 24 de abril, a resposta foi perentória: “A questão dos horários é um assunto que deverá ser tratado junto das respetivas entidades patronais”.

A narrativa da administração é contrariada pelos trabalhadores, que lembram que, de acordo com as regras estipuladas pela própria, é a esta que cabe sempre a última decisão sobre horários. Caso uma loja queira fechar mais cedo ou abrir noutro horário, terá de passar pelo crivo da administração.

Acresce que a administração do Fórum Viseu mencionava que os assuntos são discutidos “no âmbito das reuniões periódicas”. Ore, de acordo com os trabalhadores, “muitos lojistas criticam essas reuniões que não são assim tão periódicas nem úteis, outros desconheciam a existência de tais reuniões”.

Sobre o facto de a administração ter afirmado que os trabalhadores também têm “deveres a cumprir”, estes ripostam: “Os(as) trabalhadores(as) têm cumprido sempre os seus deveres, mas os seus direitos continuam a ser uma miragem. A administração tentou lavar a sua imagem na resposta ao Jornal do Centro, mas quem trabalha todos os dias do ano no Fórum Viseu sabe que o ambiente é autocrático”.

“Horários absolutamente desajustados à realidade”

Entre os trabalhadores o descontentamento é crescente “por um acumular de situações sem resposta”.

Em causa está não apenas o encerramento do Fórum Viseu no domingo de Páscoa. Segundo detalham em comunicado, os trabalhadores têm vindo a alertar para o desfasamento dos horários, que são “absolutamente desajustados à realidade dos lojistas, assim como às características dos clientes que o frequentam”.

“A partir das 20h30 os corredores estão desertos, mas obrigam-nos a sacrificar a nossa vida familiar e pessoal no cumprimento de horários vazios de movimento, até às 22h00 e muitas vezes até às 23h00”, explica uma lojista citada no documento.

Trabalhadores proibidos de realizarem refeições nos espaços comuns

Os trabalhadores expressam ainda a sua “indignação” pelo facto de a administração do Fórum Viseu os proibir de usufruir dos espaços comuns do Fórum, quer interiores como exteriores, para realizarem as suas refeições. Desta forma, são obrigados a pagar do seu bolso uma refeição nos locais de fast food existentes, a recorrerem às casas de banho ou armazéns do Fórum, ou até mesmo ao seu próprio carro, ou, em último caso, a abdicarem das suas refeições.

Se, por um lado, a administração proíbe a utilização da zona alimentar do Fórum aos lojistas, por outro, obriga-os a utilizarem as casas de banho comuns, “muitas vezes com tempo de espera porque o movimento de clientes é elevado, muitas vezes encerradas para limpeza, muitas vezes sujas”. Neste contexto, os lojistas exigem também casas de banho exclusivas para trabalhadores do espaço comercial.

A administração continua a ignorar as reivindicações dos trabalhadores, mas estes não estão dispostos a abdicar dos seus direitos.

“Somos pessoas, com vidas familiares e sociais. Não somos um número numa folha de excel. Exigimos o direito ao descanso e ao lazer, como direitos garantidos na Constituição da República Portuguesa. Exigimos ser ouvidos. Exigimos respeito. Exigimos os nossos direitos. Nem mais, nem menos do que isso”, rematam.