A greve na Electricidade dos Açores (EDA) marcada para esta sexta-feira, registou logo de manhã uma adesão de 71,5 por cento na Produção e Despachos, de 78,5 por cento na Manutenção e de 59 por cento nas Redes, segundo os dados fornecidos pelo Sindicato das Indústrias Eléctricas do Sul e Ilhas.
"A adesão média é de 70 por cento", refere um comunicado divulgado pelo sindicato, ao princípio da tarde.
O documento informa também que a adesão na Produção nas ilhas Terceira, S. Miguel, Santa Maria, Graciosa e Corvo e nos Despachos nas ilhas de S. Miguel e Terceira é de 100 por cento.
Estes dados são, contudo, refutados pela EDA, tendo um porta-voz da eléctrica açoriana revelado que a paralisação está a registar uma adesão de 20,37 por cento, assegurando ainda a "normalidade” dos serviços.
Na origem desta greve, que se prolongou até às 24:00 de sexta-feira, está a contestação à proposta de aumento salarial de 0,8 por cento apresentada pela EDA.
O sindicato contesta este valor, alegando que a empresa está a registar os seus maiores lucros de sempre e esperando que a greve permita "uma inversão de posições" e "o retomar imediato" das negociações.
O Bloco de Esquerda/Açores teve conhecimento das denúncias do Sindicato das Indústrias Eléctricas do Sul e Ilhas relativas a pressões, levadas a cabo pela administração da empresa de electricidade açoriana, no sentido de demover os trabalhadores de participarem na greve de sexta-feira.
Nesse sentido, os deputados regionais do Bloco de Esquerda perguntaram ao Governo Regional dos Açores, enquanto principal accionista da empresa, se este “tem conhecimento destas tentativas de pressão, coacção e outras formas intimidadoras ou de discriminação dos trabalhadores aderentes à greve”.
No documento entregue na Assembleia Legislativa dos Açores, os deputados do Bloco de Esquerda salientam os resultados extremamente positivos da EDA, no que diz respeito à produção nos últimos anos, apesar de várias contrariedades.
Os deputados do Bloco manifestam solidariedade para com os trabalhadores da EDA que rejeitam a política de contenção salarial proposta pela administração da empresa que alega injustamente, a actual crise económica.
Em 2009, o resultado líquido da EDA foi de 14 milhões de euros, e a produtividade cresceu 75%.