Alemanha

50 mil jovens alemães nas ruas contra regresso do serviço militar

07 de março 2026 - 12:07

Governo alemão aprovou uma lei que obriga os jovens de 18 anos a responder a um questionário sobre a sua aptidão e motivação para o serviço militar. Objetivo é recrutar mais 80 mil soldados.

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Manifestação de 5 de março
Jovemcom cartaz onde se lê “Não devemos a nossa vida ao Estado” na manifestação de 5 de março em Berlim. Foto: Regine Ratke / IPPNW

Cerca de 50 mil jovens manifestaram-se esta quinta-feira em várias cidades alemãs contra a reintrodução do serviço militar. O protesto segue-se a outra manifestação realizada em dezembro, quando o governo aprovou uma nova lei do serviço militar que prevê um questionário da todos os jovens que façam 18 anos com questões sobre a sua aptidão e motivação para o serviço militar. A resposta é obrigatória para os rapazes e o questionário é acompanhado de formulários para a inscrição voluntária no exército alemão.

Caso o número de voluntários não seja suficiente para cumprir a meta do governo de aumentar de 180 mil para 260 mil soldados, o que até os apoiantes da proposta admitem abertamente, o próximo passo será o regresso do serviço militar obrigatório à Alemanha,

Este é o motivo para a indignação dos jovens que saíram às ruas esta semana. “Não me parece que vá morrer pelos meus amigos, familiares ou conhecidos, na pior das hipóteses”, disse Shmuel Schatz, de 17 anos, porta-voz do Comité de Greve Escolar, à Deutsche Welle. “Na verdade, acabarei por morrer apenas por aqueles que são colocados nas trincheiras para servir os interesses de grandes empresas como a Rheinmetall, a ThyssenKrupp e outras, para que possam encher os bolsos às custas da guerra”, acrescentou o estudante, concluindo que a lei aprovada em dezembro é apenas o primeiro passo para o regresso da tropa obrigatória.

A lei constitucional alemã prevê o direito à objeção de consciência e o número de pedidos aumentou 72% no ano passado, com 3.867. O serviço militar obrigatório vigorou no país até 2011, com a possibilidade de o cumprir num cargo civil. O regime foi suspenso mas pode ser reposto caso o parlamento aprove por dois terços um estado de prontidão ou de defesa nacional, altura em que poderão ser mobilizados para as forças armadas os homens entre os 18 e os 60 anos.