A fábrica de calçado Controlfactor Belém em Arouca anunciou aos seus cerca de 40 trabalhadores esta segunda-feira que iria iniciar um processo de insolvência.
Ao Jornal de Notícias, um trabalhador da empresa contou que foram apanhados de surpresa pela informação “porque não há salários em atraso e até tínhamos trabalho”.
À RTP, por sua vez, a gerência garantiu que as dificuldades eram conhecidas de todos e desculpa-se com o “absentismo dos trabalhadores” e as suas “faltas injustificadas”, assinalando que depois de uma penhora da Segurança Social não restou dinheiro para pagar salários.
Sabe-se entretanto que a administração da empresa não passou aos trabalhadores os documentos necessários para que os trabalhadores se inscrevam no Centro de Emprego e possam receber subsídio de desemprego. Temendo que os bens da empresa sejam retirados e que não lhes seja pago o devido, têm estado desde que souberam da insolvência em frente à fábrica.
Fernanda Moreira, presidente do Sindicato Nacional do Calçado, Malas e Afins, explica à televisão pública precisamente estas duas coisas. Diz que os trabalhadores “estão aqui numa tentativa de salvaguardar o património para que depois sirva para pagar aquilo que têm a receber”. E que “não compreendem que a empresa tenha o processo de insolvência planeado e não forneça a documentação necessária para a inscrição no Centro de Emprego. Uma coisa é ser alguém a pedir insolvência e a empresa é apanhada de surpresa. Outra coisa é a decisão de as empresas se apresentarem à insolvência e depois não passarem os documentos e empurrarem para os administradores. E como nós sabemos, os administradores tanto podem ser rápidos como ser demorados. E estas pessoas precisam de sobreviver”, reforça.