Os escritórios de Madrid do fundo abutre Cerberus foram ocupados esta quinta-feira por 25 famílias em luta pelo direito à habitação. Estas pessoas, explica ao Públicoes Mercedes Revuelta, da Plataforma de Afectadas por la Hipoteca, “há muitos anos que são inquilinas de casas que eram do Santander, do Sabadell ou do BBVA e estes bancos venderam, impunemente, as suas casas a um fundo de investimento norte-americano que quando chega diz a todas: acabaram os contratos, adeus”.
A ativista explica que este procedimento é habitual e que inclui assédio para tentar que os inquilinos saiam delas. O jornal El Salto Diário conta que a operação agressiva do fundo em Espanha iniciou-se em 2013 com a compra dos direitos de venda de uma carteira de imóveis do Bankia no valor de 22.000 euros. Depois, entre 2017 e 2019, passou a comprar diretamente casas aos principais bancos espanhóis como o Santander, o BBVA e o Banco Sabadell. Terão sido 130.000 e, atualmente, será detentor de 14.000 milhões de euros em ativos imobiliários em Espanha através de várias firmas. Só uma outra empresa o suplanta, outra companhia que tem fama de ser um fundo abutre, a Blackstone.
Depois de seis horas de ocupação, que passaram a dançar e a cantar, as mais de 80 pessoas que participaram na ação que juntou também ativistas da PAH e do Sindicato de Inquilinas acabaram por sair das instalações depois da empresa ter concordado marcar uma reunião para o próximo dia 7 de abril. Há oito meses que vinham tentando encontrar-se com o Cerberus e que estavam a ser ignoradas. Contudo, não dão a batalha como estando perto do fim porque “o Cerberus é um fundo de investimento muito duro e não entende que tem uma responsabilidade social”.