Caldas da Rainha: 2.000 manifestantes defendem especialidades hospitalares

25 de fevereiro 2012 - 2:25

Manifestantes exigem manutenção de especialidades hospitalares e contestam junção dos centros hospitalares Oeste Norte (que integra os hospitais de Caldas da Rainha, Alcobaça e Peniche) e de Torres Vedras. Também em Torres Vedras duas centenas de pessoas participaram na assembleia municipal para protestar contra o encerramento da urgência médico-cirúrgica

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“O hospital é nosso não da troika”, cartaz de manifestante nas Caldas da Rainha – Foto de Carlos Barros/Lusa

Segundo a agência Lusa, o ministério da Saúde pretende reorganizar os centros hospitalares do Oeste, repartindo serviços entre o Centro Hospitalar Oeste Norte (Caldas da Rainha) e o Centro Hospitalar de Torres Vedras (CHTV), fechando serviços em cada um dos centros hospitalares.

Nas Caldas da Rainha, cerca de duas mil pessoas concentraram-se nesta sexta feira num abraço humano ao hospital distrital e realizaram uma concentração em frente ao Termal. Segundo a Lusa, o protesto foi organizado pelos partidos da oposição na câmara e Assembleia das Caldas da Rainha (PS, CDU e Bloco de Esquerda), com o apoio de movimentos cívicos e grupos de defesa do Hospital distrital. À porta das urgências concentrou-se igualmente um grupo de médicos, enfermeiros e auxiliares do hospital.

Heitor de Sousa, ex-deputado do Bloco de Esquerda, presente na manifestação, afirmou à Lusa que o Bloco continua a “reivindicar um hospital Oeste Norte novo” e considera que “esta reorganização só serve para afastar as pessoas do Serviço Nacional de Saúde”.

Paulo Freitas da concelhia do Bloco das Caldas da Rainha declarou: “É das maiores manifestações de cidadania desde o 25 de Abril, o que demonstra que quando as reivindicações são justas as pessoas unem-se na defesa dos seus direitos”.

Júlio Branco, enfermeiro no hospital das Caldas, disse à Lusa: “Não discutimos a necessidade de reorganização dos cuidados hospitalares, mas discordamos desta visão puramente economicista que parece existir, quando o que se devia discutir era uma reorganização que incluísse a criação de uma unidade local de saúde”.

Também nesta sexta feira mas em Torres Vedras, cerca de duas centenas de pessoas estiveram na Assembleia Municipal para demonstrar o seu descontentamento contra a intenção do Ministério da Saúde de encerrar a urgência médico-cirúrgica do respetivo centro hospitalar.

Entre as intervenções do público, o médico Francisco Crespo sublinhou que “nem a urgência de Caldas nem a de Torres Vedras têm capacidade para dar apoio cirúrgico” a 400 mil habitantes da região, assim como “não é compreensível ter uma urgência pediátrica [em Caldas] sem o apoio da cirurgia”.

“Temos de nos mobilizar para manifestar o nosso desagrado contra o encerramento da urgência”, disse um dos cidadãos, Joaquim Pinto, residente na cidade, cujos habitantes, defendeu: “se forem para a urgência das Caldas morrem pelo caminho”.

A habitar na freguesia da Silveira, Paula Calada mostrou-se também “contra o encerramento da urgência”, discordando que seja “obrigada a percorrer 50 quilómetros” para ser assistida numa urgência.

De acordo com a agência Lusa, uma proposta da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), que está a ser discutida com as autarquias e com as administrações dos centros hospitalares de Torres Vedras e das Caldas da Rainha, quer transformar a urgência médico-cirúrgica do CHTV em básica, mantendo a urgência médico-cirúrgica de Caldas da Rainha. Além disso, quer encerrar o bloco de partos e a pediatria e respetiva urgência, concentrando estes serviços no Centro Hospitalar Oeste Norte, em Caldas da Rainha, que por sua vez perde a ortopedia e a cirurgia em prol de Torres Vedras.