“O primeiro-ministro tem sido um factor de instabilidade, e esta discussão entre o PS e o PSD para fazerem um orçamento que aumente os impostos e reduza o emprego, isso é a instabilidade do país”, disse Louçã durante uma visita à Reserva Natural do Estuário do Tejo, na zona de Alhandra, Vila Franca de Xira.
Foi a resposta ao discurso de José Sócrates num comício do PS em Matosinhos, onde o primeiro-ministro deixou vários recados implícitos ao PSD, dizendo que a actual conjuntura “não está para brincadeiras ou ambiguidades” e que os tempos exigem “a defesa da estabilidade e não de constantes ameaças para provocar artificialmente crises políticas”.
O coordenador do Bloco estranhou que PS e PSD “se zanguem tanto em público e façam reuniões em privado” e sublinhou que os dois partidos já se entenderam para 2010 e 2011 num Programa de Estabilidade e Crescimento que “prevê o aumento dos impostos, o corte na saúde e na educação e que tem como consequências o aumento do desemprego”.
“É olhando para prioridades que o Orçamento deve corrigir os problemas fundamentais do país e é sobre isso que o primeiro-ministro prefere a demagogia em vez de responder com confiança”, criticou Louçã.
Sobre o objectivo declarado por Sócrates de defender o Serviço Nacional de Saúde, em resposta à proposta de revisão constitucional do PSD, Louçã lembrou que há uma semana atrás a gestão do novo hospital de Braga foi entregue ao grupo Mello Saúde por 30 anos, depois de ao mesmo grupo ter sido retirada a responsabilidade de gerir o Hospital Amadora-Sintra. Para Louçã, longe de defender o SNS, o primeiro-ministro abre as portas a propostas de revisão constitucional como a do PSD.