“O caminho da troika é um calvário sem limite”

22 de maio 2012 - 16:27

Um dia depois da chegada a Portugal dos representantes da troika, para mais uma avaliação trimestral do cumprimento do memorando, o Bloco de Esquerda defendeu a renegociação dos juros da dívida à troika e a rutura com a política de austeridade.

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Numa conferência de imprensa marcada para avaliar um ano de cumprimento do acordo com a troika, o Bloco salientou que os principais indicadores económicos têm-se vindo a degradar acentuadamente desde que o memorando começou a ser aplicado.

“O caminho da ‘troika’ é um calvário sem limite. É necessário romper com este caminho em nome da economia, do crescimento e da criação de emprego”, defendeu esta terça-feira Pedro Filipe Soares.

Para justificar a urgência da renegociação dos juros, o Bloco de Esquerda recordou os números da economia no último ano. A dívida pública saltou de 107 para 113 por cento do Produto, a economia passou de 1,6 por cento negativos em 2011 para uma estimativa de 3,2 por cento negativos para 2012. “O desemprego antes da troika”, lembrou Pedro Filipe Soares, “estava nos 12,4 por cento e um ano depois da troika situa-se nos 14, 9 por cento”.

A solução, adianta o deputado do Bloco, é “romper com o pagamento dos juros abusivos é o que se impõe. Um ano depois da troika, o que temos, é a sangria de um país para pagar aos especuladores financeiros”

“O caminho da troika é um calvário sem limite, diz Pedro Filipe Soares, dizendo que é necessário “renegociar a divida pública e romper com a política de austeridade”.

A exigência do Bloco de Esquerda surge no dia em que a Organização para o Crescimento e Desenvolvimento Económico (OCDE) antecipa uma taxa de desemprego recorde para Portugal, calculando que atinja uma taxa de 16,2 por cento em 2013.

“Em cada um por cento de corte dos juros da dívida à troika, por cada um por cento de renegociação, nós teremos espaçopara o financiamento anual do Sistema Nacional de Saúde.

É o espaço para o investimento na economia, para o crescimento económico e criação de emprego”, concluiu Pedro Filipe Soares.