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Índia: tomate ataca governo

Espiral inflacionária corrói, principalmente, os salários dos trabalhadores, e já atinge os dois dígitos. País lidera o ranking de suicídios de camponeses que não conseguem pagar as dívidas.
Preço normal do melhor tomate deveria ser em torno das 35-40 rúpias o quilo, mas já está em 50.

O governo do primeiro-ministro Manmohan Sing, da Índia, sofreu esta semana um pesado ataque do tomate, cujo preço, em Delhi,chegou a 50 rúpias o quilo. Segundo pessoas ligadas ao mercado, o preço normal do melhor tomate deve estar em torno de 35-40 rúpias o quilo. Poderia ser uma piada de mau gosto se as cebolas não tivessem feito correr lágrimas dos olhos dos trabalhadores dias antes, com a vertiginosa subida de preço. Trata-se de uma espiral inflacionária que corrói, principalmente, os salários dos trabalhadores, atingindo agora os dois dígitos.

A Índia tem o maior crescimento demográfico do planeta e se todos quiserem comer um tomate, seria necessário 1.180 milhões de tomates, já que é esse o numero estimado de indianos, em Abril de 2010, cuja metade é de menores de 25 anos. Esse delicioso vegetal vermelho veio a transformar-se em mais uma fonte de problemas para os governantes. Só falta agora a Interpol ir atrás do tomate – que pode ser acusado de terrorista pelo governo indiano – como fez com Julian Assange do Wikileaks, já que está a causar problemas que as autoridades não conseguem explicar. Segundo o governo, não faltam tomates na mesa dos trabalhadores, ainda que o quilo tenha chegado a 50 rúpias.

A Índia, além de problemas como a cebola e o tomate, tem nada menos de duas mil etnias no seu território. Áreas como Caxemira e Jammu estão em plena rebelião contra o governo e vários estados vivem em plena guerra civil, com a guerrilha maoísta controlando diversos estados do país. Não há no horizonte nenhuma perspectiva de que as coisas vão melhorar significativamente, já que a Índia ocupa o primeiro lugar no ranking de suicídios de camponeses desesperados por não conseguirem pagar as suas dívidas de financiamento da produção.

Segundo as estimativas, em 2025, a Índia será o país mais populoso, com 1.600 milhões de habitantes, ultrapassando a China. Não é necessário dizer que a maioria de nós estaremos ainda presentes quando tal fenómeno ocorrer e a média etária será de 29 anos! A da China será de 37 anos e a do Japão de 48 anos.

Mesmo antes que isso ocorra, o facto é que os vegetais estão a sumir da mesa dos trabalhadores e a transformar-se, segundo eles, em coisa permitida apenas aos ricos. A actual espiral inflacionária e a consequente necessidade dos trabalhadores se defenderem da corrosão dos seus salários pode transformar a Índia num centro da luta dos trabalhadores em 2011.

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