“O Partido Popular Europeu negoceia com a extrema-direita cargos institucionais”

24 de maio 2024
PARTILHAR

Novas regras de governação económica, a influência da extrema-direita na direita europeia, o direito ao aborto, a corrupção e a causa palestiniana foram temas em que ficaram claras as diferenças entre os candidatos presentes no último debate a quatro destas eleições europeias.

No último debate televisivo a quatro, realizado esta sexta-feira na TVI/CNN Portugal, Catarina Martins criticou as novas regras de governação económica que tiveram “o voto convergente do Partido Socialista, PSD e CDS”. Considerou-as “um erro absoluto” por darem “à Comissão Europeia poder discricionário para decidir em que é que o país pode ou não investir”. E são “sempre regras que tendem a dizer aos Estados, e a Portugal muito particularmente, que não podem ter mais trabalhadores, ou seja, que a despesa estrutural tem que parar”. Pelo contrário, seria preciso que um programa como o Fundo de Recuperação e Resiliência fosse permanente para “os Estados terem todos eles capacidade de investir nos serviços públicos, na habitação, nas áreas que são fundamentais neste momento”.

Outra questão levantada foi o peso da extrema-direita e forma como a presidente da Comissão Europeia do Partido Popular Europeu “está a negociar” com o grupo do Vox e Meloni “os próximos cargos institucionais”. Quando Sebastião Bugalho tentou responder minimizando a questão, Catarina Martins retorquiu que a AD e o Partido Popular Europeu andam a dizer que “há extrema-direita boa e a extrema-direita má”, embora tenha toda ela algo em comum:“detesta mulheres e ataca os direitos das mulheres”.

Precisamente a questão dos direitos das mulheres, nomeadamente o tema do aborto, foi outra das questões trazidas ao debate. A cabeça de lista do Bloco opôs-se à “desculpa jurídica” invocada pelo candidato da AD para justificar o voto contra a inclusão do direito ao aborto na Carta dos Direitos Fundamentais da Europa e lembrou que esta coligação “não só tem partidos como o PPM, que nem vale a pena dizer o que dizem sobre mulheres, mas tem também o CDS, com Paulo Núncio, que ainda na campanha das legislativas achou por bem explicar que era bom pôr obstáculos a que as mulheres conseguissem concretizar o seu direito à interrupção voluntária da gravidez". E recordou ainda que da última vez que o PSD e o CDS estiveram juntos no Governo "introduziram normas humilhantes no acesso à interrupção voluntária da gravidez”.

Falou-se ainda de corrupção, com Catarina Martins a lembrar que “uma das maiores delegações na COP foi a da indústria fóssil” para criticar a ideia de que “regular o lóbi faz com que corra tudo bem”. Para ela, essa regulação é uma forma de pôr “as raposas dentro do galinheiro”. Defendeu ainda o fim dos offshores que deixam “todas as instituições vulneráveis à corrupção e sobretudo a Justiça sem conseguir olhar para o que está a acontecer porque não há transparência”.

Por último, a cabeça de lista do Bloco introduziu a causa palestiniana. Aí, apontou que “o governo alemão continua neste momento a fornecer armas a Netanyahu para matar em Gaza”, sublinhando que neste governo estão os socialistas, verdes e liberais. E desafiou estes partidos em Portugal - PS, PAN, Livre e IL - a prometer que “não se sentariam” com eles no mesmo grupo parlamentar.

Termos relacionados: vídeos EsquerdaEuropeias 2024