Activistas assinalam 25 anos da tragédia de Bhopal

03 de dezembro 2009 - 12:52
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A 3 de Dezembro de 1984, uma nuvem tóxica saída da fábrica de pesticidas Union Carbide, na cidade de indiana de Bhopal, causou 25 mil mortos.

Vinte cinco anos depois, activistas ambientais e sobreviventes da contaminação marcharam juntos em Bhopal, capital do estado do Madhya Pradesh, para recordar a fuga tóxica que deixou mais de 100 mil doentes crónicos e que ainda hoje afecta a saúde dos residentes das favelas próximas da fábrica, onde continuam a nascer crianças com malformações e inúmeras doenças.



"Com estes protestos, os sobreviventes da tragédia descarregam a sua ira contra o governo estatal pela sua falta de acção na eliminação dos resíduos tóxico", explicou Satinath Sarangi, da ONG Bhopal Group of Information and Action, citada pela Agência France Presse.



O governo deste estado indiano tomou conta da fábrica em 1998, mas apenas limpou parcialmente as centenas de toneladas de materiais tóxicos, afirmando não existir perigo de intoxicação das milhares de toneladas depositadas nos tanques artificiais de evaporação solar nos quais a Union Carbide verteu os seus resíduos durante anos antes do acidente. Segundo a AFP, o governo do estado pensou em abrir no mês passado essas instalações a visitantes, mas voltou atrás na decisão.



A partir da meia noite, centenas de pessoas participaram na vigília que assinalou o momento em que se deu a fuga de um dos tanques. Calcula-se que cerca de cinco mil pessoas não tenham chegado a acordar no dia seguinte e outras tantas tenham morrido até ao terceiro dia após a fuga.



 Ainda decorrem nos tribunais indianos e norte-americanos alguns processos para responsabilizar os ex-administradores da Union Carbide, entretanto comprada pela Dow Chemical, que rejeita quaisquer responsabilidades na contaminação e portanto na limpeza do material tóxico existente.



A Amnistia Internacional pediu à Dow Chemicals que "coopere plenamente nos processos legais em curso para garantir que sejam pedidas contas dos responsáveis", mas a empresa considera que o assunto ficou resolvido com o acordo de 470 milhões de dólares de indemnização assinado com o Estado indiano em 1989.

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