A capital de Moçambique, Maputo, foi palco de violentos protestos contra os aumentos de 50% dos preços dos transportes. Os circuitos urbanos dos "chapas", transportes públicos informais, passaram de 5 meticais para 7,5; e nos periféricos subiram de 7,5 para 10 meticais (1 euro= 35 meticais). Barricadas, pneus a arder nas ruas cortaram o trânsito em diversos bairros da periferia da capital. As manifestações, segundo a agência Lusa, terão sido convocadas por SMS.
"O povo está a sofrer, os filhos de ministros, deputados e outros dignitários não andam de chapa e os chapas estão caros. No dia 5 ninguém deve apanhar chapa, ninguém deve trabalhar. Vamos fazer greve e exigir justiça camaradas, envie para outros, seja unido na luta contra a pobreza", dizia uma das mensagens.
Os bancos e escolas foram fechados e a segurança interna de organizações internacionais, como a ONU, apelou aos seus funcionários que estavam a trabalhar para que permanecessem nos escritórios e não tentassem sair à rua.
O vice-ministro moçambicano do Interior, José Mandra, apelou à calma e assegurou que a "situação está sob controlo". "Mantenham a calma porque as forças policiais estão no terreno para controlar o que está a acontecer ", disse José Mandra, repudiando a forma escolhida pela população para expressar o repúdio pelo aumento das tarifas.
O vice-ministro justificou a medida como "uma contingência provocada pela subida do preço do petróleo no mercado mundial. Os transportadores não tinham como manter as tarifas".
Mandra informou ainda que houve seis feridos, cidadãos no bairro de Magoanine, onde começaram os protestos.
O governo moçambicano interrompeu a habitual reunião do Conselho de Ministros devido aos distúrbios.
No bairro de Magoanine, onde começaram os protestos, a polícia dispersou os manifestantes, mas as barricadas continuaram erguidas. Elementos das Forças de Intervenção Rápida, um corpo especialmente temido da polícia moçambicana, patrulham a praça principal empunhando armas automáticas, tendo levado à fuga os vários grupos de manifestantes, relata a agência Lusa.
Elina Pedro, 44 anos, cinco filhos, afirma que "se não baixarem preço do transporte ninguém vai circular aqui. Não dá para viver com cinco filhos a estudar e com transporte caro. Não se vive. (O protesto) é o único meio de forçar o governo a rever as coisas", acrescenta.
A Lusa informa ainda que os proprietários dos "chapas" seguem a prática de nunca fazer um trajecto completo, obrigando os passageiros a vários transbordos. A 14 quilómetros do centro de Maputo, os habitantes de Magoanine precisam de fazer pelo menos três viagens e pagar três bilhetes só na ida.
Assim, uma viagem urbana que antes custava cinco meticais (14 cêntimos) passou para 7,5 meticais (21 cêntimos) e a que antes custava 7,5 meticais passou agora a custar 10 meticais (28 cêntimos).
O salário mínimo é de cerca de 1 400 meticais (40 euros), mas muitos habitantes estão desempregadores e vivem de negócios informais com rendimentos de sobrevivência numa base diária. As famílias têm em média cinco pessoas.