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BES: Ausência de custos para contribuintes é “altamente questionável”, avança a The Economist

Num artigo publicado esta sexta feira, a The Economist afirma que a garantia de que o resgate do BES não tem custos para os contribuintes é “altamente questionável”. A revista refere a possibilidade de, caso a venda do 'Novo Banco' implique um encaixe inferior a 4.400 milhões de euros, o governo português vir a “pagar uma fatura que poderia ameaçar a estabilidade de outros credores”.

Os Espírito Santo são uma dinastia de banqueiros cujo nome é tão ressonante em Portugal como os Rockefeller na América. Mas o seu reinado terminou abruptamente a 3 de agosto quando o Banco Espírito Santo (BES), um grande banco português no qual os negócios da família tinham uma participação de 20%, foi reestruturado. Esta situação surgiu na sequência da divulgação de pesados prejuízos de 3,6 mil milhões de euros decorrentes da exposição ao grupo familiar mãe de empresas cujos interesses vão desde hospitais a explorações de gado”, lê-se no artigo da The Economist.

Segundo esta publicação, era essencial, neste contexto, um “resgate massivo” do BES, contudo, “a forma que este assumiu corporizou, pelo menos em parte, uma postura europeia mais dura destinada a partilhar o fardo entre os contribuintes e os credores privados”.

Lembrando que está ser injetado no 'Novo banco' um total de 4,9 mil milhões de euros, e que, destes, 4,4 mil milhões provêm de um empréstimo concedido pelo governo, usando dinheiro proveniente do empréstimo da troika, a The Economist sublinha que “a afirmação de que o resgate não implica custos para os contribuintes é altamente questionável”.

"O dinheiro avançado pelo Estado será reembolsado através das receitas provenientes da venda do Novo Banco. Se o preço for inferior a 4,4 mil milhões, em teoria, os bancos, e não os contribuintes, serão responsáveis pela diferença. Isso pressupõe que o governo não vai intervir para pagar uma fatura que poderia ameaçar a estabilidade de outros credores, tendo visto já o BES cair”, destaca a revista.

The Economist refere ainda que o modelo híbrido de resgate do BES adotado por Portugal está em conformidade com as regras atuais da UE, mas é contrário a regulamentações que entrarão em vigor no futuro, sublinhando que, “a partir de 2016, os credores seniores e até mesmo os grandes depositantes teriam de ser chamados a participar, isolando ainda mais os contribuintes”.

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