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Sintra: cidadãos contra um Hotel que é um “monstro”

Um movimento de cidadãos, o QSintra, contesta a construção de um novo hotel na zona classificada pela UNESCO como Património da Humanidade. Chama-lhe um “monstro” e diz que desfigura o centro histórico. Também o Bloco de Sintra o considera “um erro”.
Imagem do projeto do Turim Sintra Palace Hotel
Imagem do projeto do Turim Sintra Palace Hotel

Dizem que "o 'monstro' não pára de crescer”. O edifício Casa da Gandarinha, construído em 1888 pelo Conde da Penha Longa, está a ser transformado num hotel do grupo Turim. Ser-lhe-ão acrescentados mais dois “blocos contemporâneos” e um parque de estacionamento.

A obra está já em curso: cortaram-se árvores, demoliram-se muros antigos, ergueram-se blocos de betão. Apesar da área desta construção ser considerada “Zona Especial de Protecção do Castelo dos Mouros, Cisterna e Igreja de Santa Maria.”

Prometem-se “100 luxuosos quartos, com vista sobre a idílica Serra de Sintra” e 500 metros quadrados de salas de conferência. Mas os defensores do património de Sintra não gostaram. E não poupam nos adjetivos. Dizem que é “uma ofensa irreparável ao património de Sintra”, obra “aberrante e inadmissível”, “ferida grave”, “um atentado às mais elementares regras de defesa do património e às características morfológicas, paisagísticas e arquitectónicas de Sintra”.

Foi isso que o QSintra escreveu numa carta dirigida a vários responsáveis políticos: o primeiro-ministro, o Presidente da República, os ministros da Cultura e do Ambiente, a câmara de Sintra, a Comissão Nacional da UNESCO, entre outros. Pedem-lhes que se “investiguem as irregularidades do processo de licenciamento da obra e os seus impactos negativos” e que se altere a obra “no sentido de minorar o impacto paisagístico num caminho iconográfico de Sintra”.

Os 300 cidadãos que subscreveram esta tomada de posição alertam ainda para a impermeabilização do terreno, lembrando que “a obra foi licenciada e avançou sem os estudos hidrogeológicos exigidos pelo então IPPAR”, para a “ausência de acompanhamento arqueológico” e para a “insuficiência clara dos estudos de tráfego”.

Também o Bloco de Sintra contesta esta solução. Desde 2001, o partido vem questionando “a inação da Câmara face à ruína do espaço”. Agora que o projeto está em andamento considera “errado permitir - e dar benefícios fiscais - o aumento da volumetria e da impermeabilização de solo no coração do centro histórico, área sensível e que deve ser protegida ao máximo.”

Para além de criticar o que está a ser feito com este edifício histórico, o Bloco é também crítico do modelo que o impulsiona. André Beja, deputado municipal do Bloco, afirma que o partido “tem sido crítico desta visão pouco crítica do turismo, que celebra como grandes triunfos e progresso obras que deixam marcas na paisagem e desfiguram o património natural e histórico.” Para o deputado municipal trata-se de “uma escolha política do Partido Socialista que levanta muitas dúvidas e que não merece o nosso apoio”.

A este propósito o Bloco local “também levanta questões relacionadas com a gentrificação” defendendo que, “perante uma vila cada vez mais desabitada e um disparar dos preços para compra e arrendamento, não se deveria apostar em mais turismo para o seu interior mas sim em habitação e em medidas de repovoamento”.

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