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Scholz, favorito nas eleições alemãs enfrenta rusga no ministério

A unidade de investigação à lavagem de dinheiro, da responsabilidade do candidato do SPD ao cargo de chanceler nestas eleições, é acusada de ter feito vista grossa a um relatório que detalhava movimentos financeiros suspeitos. A oposição pede explicações mas para já Scholz continua à frente nas sondagens.
Scholz em 2017 em Hamburgo. Foto de Olaf Kosinsky/Wikimedia Commons.
Scholz em 2017 em Hamburgo. Foto de Olaf Kosinsky/Wikimedia Commons.

Num momento em que Olaf Scholz está à frente nas sondagens, fazendo acreditar que o SPD pode inverter o ciclo de domínio dos conservadores sobre a política alemã que dura desde 2005, aconteceu uma rusga policial no seu ministério que pode baralhar as contas das eleições do próximo dia 26 de setembro.

A ação da passada quinta-feira não visou diretamente o atual ministro das Finanças do governo de Angela Merkel mas a unidade de investigação à lavagem de dinheiro que ele supervisiona está a ser acusada de ter encoberto movimentos financeiros suspeitos.

A Unidade de Inteligência de Finanças, FIU, é suspeita de “obstrução à justiça” por não ter divulgado à polícia e ao sistema judicial um relatório a que teve acesso em 2018 sobre lavagem de dinheiro. Nele, um banco listava pagamentos no valor de mais de um milhão de euros que acreditava poderem estar ligados à venda de armas, tráfico de drogas e terrorismo. Esta é uma investigação que começou o ano passado e está ainda por estabelecer se a omissão dos relatórios aconteceu por decisão ou incapacidade desta unidade ou se foi devida a alguma ordem superior do ministério das Finanças ou da Justiça. Apenas foi divulgado a este propósito que houve “uma extensa comunicação entre a FIU e os ministérios que foram agora alvos de busca”, segundo se pode ler no comunicado dos procuradores de Osnabrück, citado pela Deutsche Welle. Os procuradores dizem que sob investigação também está o facto do número de relatórios de atividades suspeitas ter caído drasticamente desde que a entidade assumiu a pasta em 2017.

Este caso soma-se ainda ao escândalo da Wirecard, a empresa tecnológica que ruiu o ano passado. Também então a FIU terá tido acesso a centenas de relatórios sobre transações suspeitas feitas por esta empresa mas deles não deu conhecimento às autoridades policiais e judiciais. Em causa está também o papel do BaFin, o regulador financeiro, igualmente supervisonado por Scholz.

Oposição pede explicações

Como não podia deixar de ser, o caso entrou na discussão eleitoral em curso. Scholz numa ação de campanha, em Potsdam tentou imediatamente contrapor a ideia de um departamento incapaz de agir por falta de meios, afirmando que, sob sua gestão, o pessoal da FIU tinha passado de 165 para quase 500 e se tinha investido fortemente em equipamento. E apesar de ter dito que “apoia totalmente” a ação policial e de ter escusado a comentar o timming desta intervenção, não deixou de afirmar noutro momento que os procuradores podiam ter enviado as questões por escrito.

Segundo o Euronews, o candidato conservador, Armin Laschet, aproveitou a deixa e este domingo, na conferência da CSU, o partido aliado da CDU de Markel, exigiu um pedido de desculpas de Scholz por este, supostamente, estar a criticar a investigação: “numa altura em que os procuradores estão a fazer uma busca num ministério, a resposta correta é dizer que se vai ajudá-los e não lançar dúvidas sobre o Estado de Direito. Quando se reage assim está-se a ajudar os populistas”.

Antes dele, Paul Ziemiak, secretário-geral da CDU já tinha disparado contra o ministro das Finanças, pedindo explicações “imediatas”, depois de uma notícia no jornal alemão Der Spiegel afirmar que o seu ministério ignorou vários avisos de falhas na avaliação de atividade criminosa por parte da FIU.

Verdes, Die Linke e os liberais do FDP em carta ao presidente do Bundestag pediram uma reunião extraordinária da Comissão de Finanças do parlamento alemão para ouvir o ministro que tem “responsabilidade política pelos correntes abusos na FIU”.

Última sondagem em alta para o SPD

A fazer fé na última grande sondagem, a da INSA, publicada este domingo no jornal Bild am Sonntag, o caso não teve efeito no crescimento eleito do SPD. O partido alcança agora os 26%, o nível mais alto desde junho de 2017. A CDU/CSU permanece nos 20%, depois de caído cerca de 9% nos últimos meses e os Verdes descem um ponto percentual para os 15%.

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