A sua presença fez-se notar. Desde o início da vaga de contestação ao governo iraquiano que muitas mulheres têm marcado presença muito forte desafiando o conservadorismo.
O líder xiita Moqtada al-Sadr fez questão de transmitir que não quer. Lançou no domingo passado um código de conduta de 18 pontos, que se deveria seguir nas manifestações, em que considera que estas não deveriam ser mistas porque isso é uma ameaça à moral.
Esta quinta-feira centenas de mulheres responderam-lhe nas ruas de Bagdade, de Nasiriyah e de outras cidades no Sul do Iraque. “A revolução sou eu”, gritou-se, num movimento que algumas apelidaram como “a revolução das mulheres”.
À Euronews, Zaynab, uma estudante de 22 anos explica esta resposta: “o nosso objetivo é demonstrar o papel das mulheres iraquianas nos protestos. Aqui somos como os homens. Manifestamo-nos contra a corrupção e a injustiça.” À Associated Press, outra das manifestantes, Baan Jaafar, de 35 anos, declarou “quem quer que acuse as mulheres de serem fracas não conhece o Iraque”, acrescentando: “continuaremos a defender os nossos direitos através de manifestações e a participar na decisão de construir um novo Iraque depois delas.”
Todays womens march in Baghdad. Today our womens voices echo across every province in Iraq. If you look closely- the men have created a wall surrounding the women as protection. #بناتك_ياوطن#IraqProtests
— Reaam ريام (@reaam_mh) February 13, 2020
Já antes, nas redes sociais, as declarações al-Sadr tinham sido ridicularizadas. O líder religioso tinha declarado que o país não se podia “transformar-se em Chicago”, ligando diretamente a cidade norte-americana à “imoralidade”. Só que o contra-ataque dos memes não se fez esperar.
Muqtada al-Sadr mocks your city and says we do not want Iraq to become like the city of Chicago pic.twitter.com/cWqnUaLuKK
— HSSN (@HSSN01117114) February 13, 2020
Para além do conservadorismo e das questões de género, al-Sadr tem sido criticado pelos manifestantes por ter mudado de lado. Se antes parecia apoiar os protestos, depois do seu apoiante Mohammed Allawi ter sido nomeado primeiro-ministro, agora situa-se do lado governamental, tendo apelado por várias vezes à desmobilização.
A contestação dura há meses e tem sido mais forte nas zonas de maioria xiita. Desde o início dos protestos, em outubro cerca de 550 pessoas morreram e 30 mil ficaram feridas devido a intervenções das forças de segurança.