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Partido de Le Pen cobrou dinheiro aos candidatos das listas às Regionais

A União Nacional francesa exigiu entre três e vinte mil euros aos candidatos das suas listas às eleições da semana passada. Há quem lhe chame “paraquedismo financeiro”, ou simplesmente “chantagem”.
A campanha de Sébastien Chenu teve um orçamento de 1 milhão de euros, o máximo do limite reembolsável pelo Estado. Só este autocarro de campanha custou mais de 60 mil euros, diz o Libération.

Uma reportagem do Libération sobre a campanha eleitoral para as eleições regionais francesas, cuja primeira volta teve lugar no passado fim de semana, centra-se no fenómeno da venda de lugares no partido liderado por Marine Le Pen. A julgar pelos resultados eleitorais que mostraram a desmobilização dos votantes do partido da extrema-direita, a estratégia terá surtido pouco efeito e pode contribuir para agravar ainda mais as divisões internas.

Segundo o diário francês, a catastrófica situação financeira da União Nacional (RN), o partido mais endividado de França e à beira da falência, após vários escândalos e condenações por financiamento ilegal, levaram as candidaturas deste ano a perder o apoio financeiro que o partido lhes dava. E a solução adotada foi instituir um sistema de pagamento por parte dos candidatos para poderem figurar nas listas. Um email interno da direção do partido, a que o Libération teve acesso, sugeria mesmo uma grelha de valores mínimos a cobrar, consoante o lugar na lista: pelo menos 20 mil euros aos cabeças de lista regionais ou departamentais, 10 mil a candidatos em lugar elegível e 3 mil a candidatos colocados na “zona cinzenta”.

Há casos de eleitos do partido da extrema-direita a queixarem-se ao jornal por terem sido retirados das listas quando recusaram o “negócio”. Mas a direção da RN diz tartar-se apenas de um movimento natural de renovação das listas. Sylvie Saillard, deputada municipal e regional e desde sempre militante da Frente Nacional, diz ter ficado surpreendida quando recebeu uma mensagem a informar que fora colocada no 6º lugar da lista, uma posição não-elegível. E não tem dúvidas que a razão da “queda” foi ter demorado demasiado tempo a responder aos insistentes pedidos de uma dirigente para que pagasse os 10 mil euros. “Ela tentava convencer-me que as pessoas contactadas iriam para lugares elegíveis. Era uma chantagem e era mentira, porque tenho amigos que pagaram e depois acabaram em lugares não-elegíveis”, queixa-se Sylvie.

Quando se recusou a pagar, foi contactada pelo cabeça de lista da RN na região dos Hauts-de-France, Sébastien Chenu. “Sylvie, são as regras. Os eleitos cessantes têm de participar na campanha”, diz a candidata. “Ele pedia-me 10 mil euros porque tínhamos recebido as nossas subvenções desde 2015.  É nojento, só o dinheiro é que conta para eles. Não as competências, nada. Eu prezo muito a meritocracia. Se me dissessem que voltavam a escolher-me por ter feito um bom trabalho, teria concordado em participar” na ajuda financeira, acrescentou.

Outro eleito na mesma região, que não se quis identificar ao Libération, afirma ter participado numa reunião em que Chenu disse claramente que os 10 mil euros pedidos aos atuais eleitos era uma regra nacional e uma decisão de Marine Le Pen. Desiludido com esta prática e os “SMS incendiários” que lhe enviou o cabeça de lista, acabou por não fazer campanha. Chenu, a quem as sondagens davam 32% antes da eleição, ficou-se pelos 24.3% dos votos, 17 pontos percentuais abaixo do vencedor da primeira volta, o atual presidente Xavier Bertrand.

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