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Pablo Iglesias denuncia campanha orquestrada para desacreditá-lo

O vice-presidente do governo espanhol e secretário-geral do Podemos, Pablo Iglesias, descartou a hipótese de ser investigado pelo Supremo Tribunal no “caso Dina”, descrevendo-a como parte de uma longa campanha para desacreditá-lo, derrubar o governo de coligação de esquerda e obstruir as suas reformas.
Pablo Iglesias. Foto do Facebook do próprio.
Pablo Iglesias. Foto do Facebook do próprio.

Manuel García-Castellón, juiz de instrução da Audiência Nacional, que investiga o “caso Villarejo”, pediu ao Supremo Tribunal de Espanha que investigue o vice-presidente do governo e líder do Podemos, Pablo Iglesias, pelo seu alegado envolvimento na apropriação e divulgação ilegal de informações do telemóvel de Dina Bousselham, ex-assessora do Podemos.

O “caso Dina” remonta a dezembro de 2015, quando o telemóvel de Dina Bousselham, então assessora de Iglesias no Parlamento Europeu, foi furtado, tendo sido divulgadas fotos íntimas de Bousselham bem como um conjunto de conversas pessoais entre as lideranças do Podemos pelo ex-comissário do Corpo Nacional de Polícia de Espanha José Manuel Villarejo, preso em 2017 pelos crimes de organização criminosa, suborno e lavagem de dinheiro.

Em janeiro de 2016, o cartão de memória do telemóvel de Dina Bousselham acaba nas mãos da revista sensacionalista Interviú, do Grupo Zeta. Por sua vez, o presidente do Grupo Zeta, Antonio Asensio, entrega o cartão de memória a Iglesias, mas vem-se a saber que dois responsáveis da revista Interviú entregaram duas cópias do material ao então comissário José Manuel Villarejo.

O pedido do juiz García-Castellón visa a investigação de Iglesias pelos supostos delitos de “descoberta e revelação de segredos”, por ter feito uma falsa denúncia de crime e danificado o cartão de memória do telemóvel, que acabou por ser devolvido pelo próprio a Bousselham.

Em declarações ao jornal britânico The Guardian, Pablo Iglesias assegurou que está totalmente confiante de que o Supremo Tribunal rejeitará o pedido de García-Castellón.

“Acho que é bastante óbvio o que está a acontecer, e é também bastante óbvio, do ponto de vista legal, o que o Supremo Tribunal fará”, disse Iglesias. “Mas até que isso aconteça, tenho a certeza de que haverá muita especulação em torno deste caso. Obviamente, não vou ser julgado no Supremo Tribunal. Nem sequer contemplamos essa hipótese.”

Iglesias também afirmou que a divulgação ilegal de informações do telemóvel da sua antiga assessora surgiu num momento particularmente sensível, aquando das negociações tidas entre Podemos e o PSOE em 2015, e tinham como objetivo “prejudicar-me a mim e ao nosso movimento político”.

O vice-presidente do governo espanhol garantiu que há muitas provas que confirmam a existência de uma estrutura “de esgoto” do Estado, operada por certas figuras dos media e por membros do PP (Partido Popular), que há muito tempo se empenha em proteger o PP do escrutínio judicial e a difamar os seus opositores através da fabricação de escândalos políticos.

“Foi tudo para tentar garantir que não entrássemos no governo”, revela Iglesias. “E agora que estamos no governo, é bastante óbvio que algumas pessoas estão a tentar derrubar este governo socialista de esquerda, que é o primeiro governo de coligação desde o regresso da Espanha à democracia, e que está a implementar reformas para transformar a estrutura económica espanhola.

Fontes oficiais do Podemos defenderam que Iglesias reteve o cartão de memória do telemóvel para não prejudicar uma colega e para mantê-lo longe do alcance da “escória”. Afirmaram ainda que a empresa de recuperação de dados que examinou o cartão disse que este estava “fisicamente intacto” e que não havia “nenhum dano físico óbvio” – contradizendo assim as alegações de que Iglesias havia tentado destruí-lo.

O PP veio de imediato apelar à demissão do vice-presidente, mas o presidente do governo Pedro Sánchez ofereceu total apoio e confiança a Iglesias.

Catarina Martins, coordenadora do Bloco, criticou este caso no Twitter, alertando para os perigos do assédio judicial em Espanha e declarando que “a direita espanhola move uma perseguição inédita a Pablo Iglesias para intoxicar a opinião pública.”

 

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