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Navio de resgate de migrantes enfrenta portos fechados e recusa de alimentos

O Alan Kurdi, único navio de resgate de migrantes a operar, tem 150 pessoas migrantes a bordo. Não consegue que nenhum porto lhes abra as portas. Itália e Malta recusaram envio de alimentos e remédios.

A bordo tem 150 migrantes resgatados ao largo da Líbia a seis de abril. Um deles teve de ser evacuado para Lampedusa por razões de saúde mas os restantes continuam à deriva. A Itália fechou portos e Malta também o fez. O governo maltês alega que “não pode garantir os recursos para o resgate em massa nem para oferecer um lugar seguro para as pessoas, especialmente num momento de grandes desafios para o setor da saúde e na aplicação da lei”. O italiano justificou-se com os “princípios de proteção da saúde dos passageiros e igualdade de tratamento com os cidadãos italianos”.

Assim, segundo organização não governamental alemã Sea Eye, o seu navio Alan Kurdi ficou sem opções face a estas rejeições de entrada. Pior, o capitão Bärbel Beyse, pediu a entrega urgente de alimentos mas os governos de Itália e Malta rejeitaram este pedido, não enviando ainda os remédios e combustível necessários para a sobrevivência.

A Sea Eye acrescenta que o navio, à deriva à cinco dias entre um e outro país, tentará agora a sua sorte na Sicília, “em busca de refúgio contra o mau tempo que se aproxima”.

O problema do Alan Kurdi, neste momento, resume ao desembarque e a um ponto de passagem seguro. A Sea Eye esclarece que já 150 cidades alemãs que se declararam prontas a receber estas pessoas.

Segundo a Frontex, a agência europeia que vigia fronteiras, o fluxo de migrantes no Mediterrâneo abrandou na sequência da pandemia da Covid-19 mas não parou. A agência da ONU para os refugiados acrescenta que cerca de 800 pessoas saíram da Líbia no mês passado. Podem vir a ser ainda mais, uma vez que a primavera costuma ser época de aumento de tentativas de travessia e que a marinha da Líbia deixou de vigiar os barcos de migrantes devido ao surto do novo coronavírus.

Já de si limitada, a frota das ONGs que fazem resgates no Mediterrâneo está desfalcada. Com o Open Arms em arranjos, e o Sea Watch e o MSF parados depois de terem sido apreendidos pelas autoridades, o Alan Kurdi ficou sozinho perante uma tarefa imensa. Sozinho e sem porto onde atracar.

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