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Líder indígena peruano impedido de entrar nos EUA

Alberto Pizango é a figura central da resistência indígena peruana, retratada num dos documentários em estreia esta semana no festival de Sundance. Mas o seu lugar na plateia ficou vazio, porque os EUA lhe retiraram sem explicações o visto de entrada no país.
Alberto Pizango. Foto: Ministério do Ambiente do Peru.

O líder da principal organização de direitos indígenas no Peru, é a estrela do documentário “When Two Worlds Collide”, que relata a luta dos povos indígenas contra a ocupação das suas terras pelas petrolíferas, que em junho de 2009 resultaram em confrontos que deixaram dezenas de mortos.

O documentário estreou este fim de semana no festival Sundance e era aguardada a presença de Pizango na plateia. Segundo o portal Democracy Now, o líder indígena foi impedido de embarcar com destino aos Estados Unidos no fim da semana passada. Pizango pediu explicações junto da embaixada norteamericana em Lima, onde o informaram sem mais explicações que o seu visto de entrada tinha sido revogado.

Após os confrontos que ficaram conhecidos como o “massacre de Bagua”, na sequência do protesto contra a expulsão dos povos indígenas para a exploração de gás, petróleo e biocombustíveis nas suas terras, promovida pelo então presidente Alán García, Alberto Pizango foi acusado de ser um dos responsáveis e a acusação pedia prisão perpétua. Em seguida, o líder da Associação Interétnica de Desenvolvimento da Selva Peruana solicitou e obteve asilo na Nicarágua, abrindo uma disputa diplomática entre os dois países. Pizango regressaria a Lima de livre vontade em maio de 2010, para provar a sua inocência e contribuir para a reconciliação nacional.

Seis anos depois, as feridas do massacre de Bagua continuam abertas na sociedade peruana, sem que alguém tenha sido declarado culpado ou algum responsável político tenha deposto no banco dos réus.

Ainda esta semana, o ex-presidente Alan Garcia voltou a reabrir a ferida ao defender que a tragédia ocorreu “por excesso de diálogo” da parte do seu governo. Na altura, Garcia defendeu abertamente que “os indígenas não são cidadãos de primeira classe”. Agora, candidata-se a um terceiro mandato presidencial nas eleições de abril, após ter chefiado o Estado peruano entre 1985 e 1990 e entre 2006 e 2011. Embora Garcia tenha prometido visitar Bagua e ali ser bem recebido, as sondagens publicadas indicam que a intenção de voto no ex-presidente ronda os 0% nas regiões amazónicas.

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