Gaza está sem testes covid-19

07 de December 2020 - 9:25

Este domingo deixaram de se fazer testes de rastreio ao covid-19 por falta de kits, num momento em que tem subido significativamente o número de contágios no território. Autoridades pedem apoio de emergência.

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Profissional de saúde da unidade de terapia intensiva do Hospital Europeu, a leste da cidade de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, 30 de novembro de 2020 – foto de Mohammed Saber/EPA/Lusa
Profissional de saúde da unidade de terapia intensiva do Hospital Europeu, a leste da cidade de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, 30 de novembro de 2020 – foto de Mohammed Saber/EPA/Lusa

O ministério da Saúde declarou em comunicado: “Apelamos a todos os organismos relevantes que intervenham de forma urgente" e forneçam "apoio às necessidades de emergência". Segundo a agência Lusa, o laboratório central de Gaza, responsável pelo rastreio dos casos de covid-19 ficou sem kits de testes de diagnóstico.

As autoridades locais de saúde, que já tinham alertado em agosto para o risco de rutura do stock de kits, estavam a fazer 2.000 a 3.000 testes diários, em média, e os dados mais recentes apontam para 36% de casos positivos nas últimas 24 horas.

A Faixa de Gaza tem, desde o início da pandemia, mais de 25.000 infeções e 139 mortes. E, atualmente, tem mais de 10.500 casos ativos, 375 doentes internados e 157 em estado crítico.

O território tem vindo a ter um aumento de casos de covid-19, tendo contabilizado mais de mil casos num só dia na semana passada.

As autoridades de Gaza tinham agravado as restrições de circulação de pessoas, tendo mandado encerrar mesquitas, escolas e universidades desde sábado. Decidiram igualmente impor um recolher obrigatório total ao fim de semana, a partir da próxima sexta-feira, e têm recolher obrigatório diário, há meses.

Dois milhões de pessoas cercadas

A Faixa de Gaza é o caso mais dramático do drama palestiniano e da brutal ação do governo israelita e do seu exército. O território tem 365 quilómetros, nele vivem dois milhões de pessoas e está cercado e bloqueado por Israel e pelo seu exército, desde junho de 2017. Israel continua a bombardear regularmente o território.

Na Cisjordânia a situação da crise pandémica é igualmente grave. O território tem cerca de 2,9 milhões de habitantes, nele está decretado o recolher noturno diário e um recolher obrigatório aos fins de semana. Nas últimas 24 horas, foram diagnosticadas mais de 1.200 infeções por covid-19.