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Dezenas de milhares nas ruas da França contra a extrema-direita

110 organizações, entre as quais os vários partidos da esquerda francesa, juntaram-se para condenar o clima de intimidação provocado pela extrema-direita e as lei “liberticidas” do governo contra manifestantes.
Manifestantes contra a extrema-direita em França. Foto da França Insubmissa/Twitter.
Manifestantes contra a extrema-direita em França. Foto da França Insubmissa/Twitter.

Este sábado, dezenas de milhar de pessoas disseram basta ao clima de intimidação da extrema-direita em França. Segundo as estimativas oficiais foram 37.000 pessoas nas ruas de França e 9.000 mil em Paris. Segundo os organizadores, foram bastante mais: 150.000 mil pessoas em 140 cidades francesas, 70.000 em Paris.

“Pelas liberdades e contra a extrema-direita”, 110 organizações, entre movimentos sociais e partidos de esquerda, convocaram as manifestações. Os manifestantes saíram às ruas não só em resposta a uma “fascização” social mas também contra as leis “liberticidas” de um governo que acusam de ter uma deriva autoritária. O ministro do Interior, Gérald Darmanin, avançou em setembro passado com um “esquema nacional de manutenção da ordem” muito contestado. A dez de junho, o Conselho de Estado anulou várias das suas disposições, considerando-as ilegais. Mantendo a possibilidade de uso de granadas “Sting Ball” e dos chamados LBD, lançadores de balas de defesa contra manifestantes, a decisão contesta a prática indiscriminada da dita técnica da “nasse”, que consiste em cercar grupos de manifestantes, supostamente para prevenir desacatos que diz ser “suscetível de afetar significativamente a liberdade de manifestação e de a dissuadir e coloca em causa a liberdade de movimentos”. O que fica proibido de todo é a obrigatoriedade dos jornalistas obedecerem às ordens de dispersão e a possibilidade de confiscação de materiais de proteção que o ministério do Interior queria impor.

Mas a motivação essencial da multidão foi a violência de extrema-direita que esteve na ordem do dia esta semana em França: um conhecido “youtuber” de extrema-direita publicou um vídeo em que “explicava” como fazer tiro ao alvo aos eleitores da França Insubmissa, gerando uma onda de indignação. Outro caso que marcou a política francesa foi a bofetada de que foi vítima o presidente francês, Emmanuel Macron. Posteriormente, vários órgãos de comunicação social destacavam as provas de simpatia para com a extrema-direita do agressor. E entre as preocupações dos manifestantes estão ainda os resultados das próximas eleições regionais em que é esperado que a extrema-direita volte a crescer.

Durante o cortejo, Jean-Luc Mélenchon, da França Insubmissa, foi atingido por farinha quando falava aos jornalistas para dizer que o país necessita de despertar “para a situação que se está a viver” com um aumento da violência da extrema-direita que "ameaçou de morte e que esbofeteia o presidente". Dirigentes dos Verdes, do PS, do PCF, do NPA e de vários outros partidos também marcaram presença, numa das raras ocasiões nos últimos tempos em que se puderam ver caras de tantos setores diferentes juntas.

Uma unidade espúria, suspeitam alguns participantes. Ao Mediapart, Cathy Billard do NPA, afirma que “o limite deste período e desta manifestação e é que existe uma tomada de consciência de que é preciso bater-se contra a extrema-direita mas ainda assim não há uma saída política”. E questiona: “será que esta manifestação irá permitir cristalizar alguma coisa ao nível nacional”?

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