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Israel-Gaza: a invasão que não chegou a acontecer

Israel assassinou o chefe militar do Hamas que negociava uma trégua permanente e desencadeou uma ofensiva. Mas nunca chegou a fazer a anunciada invasão terrestre. Segundo Uri Avnery, o Hamas venceu mais este episódio do conflito.
A Operação Pilar de Nuvem deu amplo reconhecimento internacional ao miniestado do Hamas em Gaza, disse Avnery. Foto de photonburst

No dia 12 de novembro, o exército israelita assassinou Ahmed Jaabari, chefe militar do Hamas. Segundo o pacifista israelita Gershon Baskinque ajudou nas negociações para a libertação do soldado Gilad Shalit, Israel matou o responsável do Hamas que negociava uma trégua de longo prazo. Horas antes de ser assassinado, Ahmed Jabari, teria recebido o rascunho de um acordo permanente de trégua com Israel.

Israel intensificou os ataques de artilharia e da aviação contra Gaza, aos quais o Hamas respondia com disparos de rockets que, pela primeira vez, chegaram às imediações de Telaviv. Dois dias depois, o primeiro ministro israelita Benjamin Netanyahu reuniu o governo, para preparar uma invasão militar terrestre. Após a reunião ministerial foi divulgado que o ministro da Defesa aprovara a mobilização de 75.000 reservistas. Barack Obama telefonou a Netanyahu para garantir a Israel o apoio ao auto-declarado “direito a defender-se”.

“Israel batizou o mais recente banho de sangue que promove em Gaza de Operação Pilar da Defesa. Está mais para Pilar da Hipocrisia”, comentou o jornalista Robert Fisk, do The Independent.

A invasão terrestre, porém, nunca chegou a ocorrer. As negociações mediadas pelo Egito chegaram a um cessar-fogo em 21 de novembro, comemorado nas ruas de Gaza como uma vitória. Em toda a ofensiva, morreram 4 civis israelitas e um soldado, e pelo menos 158 palestinos, na sua maioria civis, sendo 13 mulheres e 30 crianças, e mais de 1100 ficaram feridos.

O jornalista e ativista pacifista Uri Avnery escreveria a propósito deste conflito:

“Antes deste round, o Hamas era presença importante na Faixa de Gaza, mas praticamente não era visto como organização com estatura internacional. A face internacional do povo palestiniano era a Autoridade Nacional Palestina de Mahmoud Abbas.

Já não é.

A Operação Pilar de Nuvem deu amplo reconhecimento internacional ao miniestado do Hamas em Gaza. (“Pilar de Nuvem” é o nome oficial em hebraico, embora o porta-voz do exército tenha decretado que o nome em inglês, para consumo de estrangeiros, deveria ser “Pilar da Defesa”).

Chefes de vários estados e muitos ministros e dignitários estrangeiros já fizeram a necessária peregrinação à Faixa.

Primeiro, chegou o poderoso e imensamente rico emir do Qatar, proprietário da rede Al- Jazeera. Foi o primeiro chefe de Estado a pôr os pés na Faixa de Gaza. Depois, chegaram o primeiro-ministro egípcio, o ministro de Relações Exteriores da Tunísia, o secretário da Liga Árabe e vários ministros de Relações Exteriores de países árabes (exceto o de Ramallah).

Em todas as deliberações diplomáticas, Gaza foi tratada como Estado de facto, com governo de facto (o Hamas). Nem os média israelitas escaparam. Os israelitas rapidamente perceberam que qualquer acordo, para ser efetivo, teria de ser construído com o Hamas.

Entre o povo palestiniano, o prestígio e a estatura do Hamas alcançaram as alturas. Sozinha, a Faixa de Gaza, menor que qualquer condado médio dos EUA, enfrentou toda a gigante máquina de guerra dos israelitas, das maiores e mais eficientes do mundo. Não sucumbiu. Na melhor das hipóteses, o resultado militar só pode ser apresentado como um empate.

E um empate entre a minúscula Gaza e a poderosa Israel significa uma vitória de Gaza.”

(...)

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