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Franceses derrotam Sarkozy na segunda volta

Voto de esperança foi defraudado pelo socialista François Hollande que, apenas cem dias depois da posse, já se mostrava como “um social-liberal igual aos que já conduziram aos desastres grego, espanhol e português", nas palavras de Jean-Luc Mélenchon.
Hollande: ao fim de cem dias, "um social-liberal". Foto de Jürg.

No dia 6 de maio, o socialista François Hollande foi eleito presidente da França na segunda volta das eleições, com 52% dos votos, derrotando o presidente Nicolas Sarkozy.

No seu discurso de vitória, o presidente eleito disse que o resultado das presidenciais representava uma nova esperança para a Europa: a de que "a austeridade não pode continuar a ser uma fatalidade".

Jean Luc Mélenchon, o candidato da Frente de Esquerda que obtivera 11% na primeira volta, felicitou Hollande: “A lição de hoje é que para sair da crise da civilização capitalista os povos procuram uma saída à esquerda", afirmou. Para a eurodeputada do Bloco de Esquerda Marisa Matias, em declarações à Lusa, o sentido de voto não era outro senão o da derrota da austeridade.

Primeiros cem dias para “quase nada”

Mas já em agosto, Mélenchon dizia que os primeiros 100 dias da presidência de Hollande serviram para quase nada. "Hollande é um social-liberal igual aos que já conduziram aos desastres grego, espanhol e português", disse. "Hollande desarmou o conteúdo insurrecional do voto nas presidenciais … Dez anos depois, a esquerda regressa ao poder e tudo o que tinha urgência em fazer era um orçamento retificativo e uma lei sobre assédio sexual?", questionou, criticando terem sido deixadas de lado as leis contra os despedimentos e para conter o poder dos bancos.

Mélenchon prosseguiu: "Quando olho para estes cem dias e vejo a multiplicação das comissões, concluo que estávamos melhor preparados que os socialistas para exercer o poder. Trazíamos propostas de lei nos nossos caixotes", assegurou.

A 10 de setembro, Hollande anunciou o que chamou de “agenda para a recuperação” económica do país, com cortes orçamentais e aumento de impostos a somar 33 milhões. Afirmou também que os rendimentos superiores a um milhão de euros serão taxados a 75%, “sem exceções”, embora outros rendimentos como os do capital fiquem de fora. Garantindo que “escuta a impaciência”disse que iria estabelecer uma agenda para a recuperação, “dois anos para pôr em prática uma política para o emprego, para a competitividade e para equilibrar as contas públicas”.

Esquerda europeia nas ruas de Paris contra "Tratado Merkozy"

A 30 de setembro, mais de 100 mil pessoas participaram na primeira manifestação da esquerda desde a eleição de Hollande, reclamando o referendo ao Tratado Orçamental, também apelidado de "Tratado Merkozy" em referência aos seus autores, tratado que Hollande já está a aplicar.

Entre outros dirigentes da esquerda europeia, estiveram presentes Jean Luc Mélechon e Francisco Louçã. “Nós precisamos de uma Europa para o emprego, de uma Europa para o respeito das pessoas, que defenda o salário e as pensões. E a devastação que tem ocorrido está a chegar a todos os países, e uma grande resposta europeia é fundamental, sobretudo para países atingidos pela Troika e por esta vertigem do desemprego, do desrespeito, do abuso, como Passos Coelho e Paulo Portas têm posto em Portugal”, disse o dirigente do Bloco de Esquerda de Porugal.

A iniciativa do protesto partiu da Front de Gauche. No manifesto que o convocou, afirmava-se que o Tratado Orçamental "encaminha toda a União Europeia numa espiral depressiva que se arrisca a generalizar a pobreza. Ele seria um recuo sem precedentes desde a II Guerra Mundial".

Também presente, o secretário-geral do PCF, Pierre Laurent, afirmou ao Le Monde que "este é um ponto de partida, que começa hoje e continuará nas próximas semanas", um movimento que dará "coragem à esquerda para fazer a guerra à finança". Olivier Besancenot, do NPA, afirmou que "já era altura da rua se fazer ouvir contra a política do governo" de François Hollande, vendo neste protesto "uma primeira etapa" de uma "unidade duradoura" da oposição de esquerda.

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Resto dossier

O Mundo em 2012

Num ano dominado pela crise europeia, a Grécia esteve no olho do furacão. Os mais atacados pela troika foram também os que mais lutaram, com 21 greves gerais em dois anos. Em julho, o  Syriza ficou a menos de 3% de ganhar as eleições, e permanece como a alternativa de governo para o país que luta. A Grécia está no centro do balanço internacional do ano do Esquerda.net. Dossier organizado por Luis Leiria.

A luta por uma Internet livre e aberta

Grandes mobilizações internacionais conseguiram suspender projetos de lei como o SOPA e o PIPA nos EUA e derrotar o ACTA, o Acordo Mundial Contra a Contrafação, no Parlamento Europeu. A espalhafatosa operação policial contra o site de partilha Megaupload também terminou com uma “megavitória” para o seu fundador, o empresário Kim Dotcom.

Putin volta à Presidência da Rússia

Presidente entre 2000 e 2007, primeiro-ministro entre 2007 e 2012, voltou à Presidência em 2012 afirmando que as eleições foram limpas, e enfrentando muita contestação da oposição. Mas a mais ruidosa oposição viria de um grupo punk-rock feminista, as Pussy Riot.

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Egito: Irmandade Muçulmana assume o poder

O braço-de-ferro entre os islamitas e as Forças Armadas foi vencido pelo presidente Mohamed Morsi que, depois de vencer as eleições presidenciais, anulou a dissolução do Parlamento, demitiu os principais chefes militares e conseguiu aprovar uma nova Constituição por referendo. Só tropeçou quando tentou assumir poderes quase absolutos. A indignação popular fê-lo recuar.

Todos somos a Grécia!

Até há bem pouco tempo um pequeno partido, o Syriza é hoje a alternativa de poder no país mais castigado pelas imposições da troika. “Há já uns deslocamentos muito rápidos a acontecer na cena política. A sociedade está a procurar um caminho alternativo de saída e a manifestar-se em torno duma aliança nova, progressista, com a esquerda no seu núcleo”, disse Alexis Tsipras.

Assange resiste na embaixada do Equador

Fundador da Wikileaks foi forçado a buscar refúgio na embaixada do Equador em Londres, para não correr o risco de ir parar aos Estados Unidos, onde poderia ser condenado à morte. A partir desse pequeno apartamento, lutou para manter viva a organização e promete divulgar muitos documentos em 2013.

O PRI volta ao poder no México

Enrique Peña Nieto, candidato do PRI, obteve 38,1% dos votos e prometeu fazer um governo diferente. Um cientista político alerta que é preciso aceitar que o México é um país em guerra.

Venezuela diante da incógnita

Chávez venceu com margem confortável em outubro e o seu partido ganhou cinco governos à oposição em dezembro. Mas a possibilidade de o líder da revolução bolivariana não sobreviver à doença levanta enormes incógnitas e desafios.

Mais quatro anos para Obama

O presidente Barack Obama foi reeleito presidente dos Estados Unidos da América no dia 6 de novembro, numas eleições muito disputadas – mesmo depois de fechadas as urnas, as sondagens não se arriscavam a prever o vencedor.

Israel-Gaza: a invasão que não chegou a acontecer

Israel assassinou o chefe militar do Hamas que negociava uma trégua permanente e desencadeou uma ofensiva. Mas nunca chegou a fazer a anunciada invasão terrestre. Segundo Uri Avnery, o Hamas venceu mais este episódio do conflito.

ONU eleva Palestina a Estado observador não membro

Resolução teve 138 votos a favor, entre 193 países, e 41 abstenções. Apenas nove países votaram contra. Decisão foi uma pesada derrota para Israel e os EUA. Em represália, Israel anunciou a expansão dos colonatos e o confisco dos impostos palestinianos. No final do ano, pareciam estar reunidas as condições para uma terceira intifada.