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EUA: nas vésperas das eleições, incertezas, tensões crescentes, fraqueza da esquerda

Trump foi incapaz de gerir a covid, milhões de americanos vivem da assistência alimentar, muitos à beira do despejo. Crise climática e Black Lives Matter não podem ser esquecidos num país em que a esquerda continua “muito pequena para ter uma influência significativa”. Artigo de Dan La Botz.
Projeção de protesto num edifício do governo na Virgínia. Foto de Backbone Campaign/Flickr.
Projeção de protesto num edifício do governo na Virgínia. Foto de Backbone Campaign/Flickr.

Este artigo foi escrito a três semanas das eleições presidenciais, quando o país assistia a um agravamento da pandemia, uma crise económica contínua, ameaças de violência armada da direita e a um presidente cada vez mais errático.


Donald Trump parece cada vez mais ver-se como um super-homem, por causa da sua experiência com o coronavírus e talvez devido a efeitos secundários do seu tratamento com esteroides. Nancy Pelosi, presidente democrata da Câmara dos Representantes, anunciou que o órgão a que preside criaria uma comissão inquirir sobre a sua destituição devido à 25ª emenda à Constituição, uma vez que ele está num “estado modificado” e poderia ser incapaz de cumprir com as suas funções.

Ela e outros legisladores creem aparentemente que o presidente está a ficar louco devido às suas declarações segundo as quais tinha sobrevivido à Covid porque é “um espécime físico perfeito”, atacando os seus aliados mais próximos, entre os quais ministros por si nomeados e prevendo retomar a estrada para fazer campanha antes do fim dos seus dez dias de isolamento.

Ao mesmo tempo, Trump parece estar em vias de perder as suas eleições após o seu desempenho desastroso no debate presidencial nacional com Biden, seguido pela sua infeção com Covid e a sua hospitalização.

A queda de Trump nas sondagens começou com o primeiro debate presidencial, a 29 de setembro, que degenerou no caos quando o moderador perdeu o controlo e Trump interrompeu em várias ocasiões Biden. Enquanto este fez do coronavírus o problema central, o comportamento de intimidação de Trump impediu os candidatos de ter uma discussão. Face ao assédio de Trump, Biden respondeu-lhe tratando-o por “palhaço” e dizendo-lhe para se “calar”.

Regra geral, os debates têm pouco impacto nas sondagens, mas neste caso o debate foi seguido por um recuo do apoio a Trump.

O candidato do Partido Democrata, Joseph Biden, passou a estar à frente nas sondagens, mesmo em Estados incertos como o Michigan, o Wisconsin, a Pensilvânia e a Florida. No total, Biden leva cerca de dez pontos de avanço. Numerosos eleitores idosos, eleitores brancos da classe operário sem licenciatura e mulheres dos subúrbios mudaram o voto de Trump para Biden.

O perigo da extrema-direita e a possibilidade de violências no dia do escrutínio tornaram-se evidente a 8 de outubro com a prisão pelo FBI de 13 homens, membros de uma milícia armada ilegal, acusados de ter planificado o rapto da governadora do Michigan, Gretchen Whitmer e o derrube violento do governo deste estado.

Whitmer é uma democrata que enfrentou repetidas manifestações armadas que a qualificavam de “tirana” por ter imposto restrições sanitárias devido à pandemia. Ela agradeceu ao FBI pela sua ação mas culpou Trump por ter encorajado tais grupos de direita e supremacistas brancos, o que levou Trump a atacá-la como ingrata.

A conspiração do Michigan aumenta o medo que o presidente utilize agentes federais ou outros polícias ou tropas e mobilize os seus apoiantes armados para promover a violência e talvez mesmo tentar manter-se no poder contestando os resultados.

Um pouco por todo o país, há grupos que se organizam para tentar manter a segurança das eleições, proteger os boletins de voto e a sua contagem e resistir a um golpe.

A incapacidade de Trump gerir o vírus

A principal causa do declínio do apoio a Trump é a sua gestão desastrosa da pandemia do coronavírus. Ele supervisionou a pior crise sanitária da história dos Estados Unidos e a pior gestão da pandemia do mundo desenvolvido: 215.000 pessoas morreram e estão a morrer ainda a um ritmo de entre 900 a mil por dia; há cerca de 50.000 novos casos cada dia e 7,7 milhões de pessoas contraíram a doença que continua a propagar-se.

O governo americanos ainda não tem um plano acabado para fazer testes, investigar contactos, decretar isolamentos e quarentenas. Trump criou um grupo de trabalho sobre o coronavírus mas contradiz constantemente os peritos em saúde pública, fornece falsas informações, sugere remédios ilusórios e ignora de maneira flagrante as boas práticas sanitárias. E estamos agora à beira de uma segunda vaga.

Para além de tudo isto, Trump – que recusou colocar máscara e desprezou quem o fez – organizou uma série de iniciativas sem máscaras, sem distanciamento físico; alguns destes eventos tiveram lugar em espaços interiores, foram super-propagadores levando à infeção do próprio Trump, de cerca de vinte conselheiros da Casa Branca, de um almirante e de três senadores. No total, desde março, vinte senadores e representantes ficaram doentes com coronavírus, assim como 123 funcionários do Capitólio. A violação flagrante pela parte de Trump das normas sanitárias da sua própria administração levou à sua própria infeção e a uma breve hospitalização.

Depois da sua breve hospitalização de três dias, ainda doente com Covid e tratado com remdesivir, o cocktail antiviral da Regeneron e o esteroide dexaméthasone, Trump voltou à Casa Branca. Surgiu ostensivamente à varanda entre bandeiras americanas e, ainda sem fôlego, tirou a máscara. Recusou ficar em quarentena nos seus aposentos da Casa Branca e foi para a sala oval para trabalhar com os seus conselheiros. Tweetou: “sinto-me verdadeiramente bem! Não tenha medo da Covid. Não a deixem dominar a vossa vida. Desenvolvemos, na administração Trump, medicamentos muito bons e conhecimento. Sinto-me melhor que há vinte anos!”

Os médicos e as autoridades de saúde pública ficaram consternadas que ele tenha deixado entender que a doença não era algo a temer. Muitos criticaram o presidente por não ter mencionado os seus apoiantes infetados e os 200.000 mortos. É exatamente este género de comportamento que faz agora Trump descer nas sondagens.

Os Estados Unidos parecem agora à beira de uma segunda vaga do coronavírus, uma vez que os casos registados em numerosos estados assemelham-se à situação de março passado. Espera-se que o fim do outono e os meses de inverno levem a mais casos de Covid já que mais atividades se desenvolvem no interior. O coronavírus coincidirá igualmente com a gripe sazonal que causa cerca de 34.000 mortes cada ano. Nenhuma vacina é esperada antes do próximo ano e a sua distribuição pode levar cerca de seis meses, de forma que o alívio não pode chegar antes do próximo Verão.

A crise económica americana

A incapacidade de Trump gerir eficazmente o coronavírus aprofundou a crise económica nos Estados Unidos que se tornou tão grave quanto a Grande Depressão dos anos 1930. Desde 15 de março, 62 milhões de pessoas no total enviaram pedidos de subsídio de desemprego federal e cerca de 900.000 continuam a pedi-lo a cada semana. Algumas pessoas voltaram ao trabalho mas o departamento americano do Trabalho reportou em setembro que 13,6 milhões (8,4 % dos cidadãos ativos) continuam sem emprego. Na verdade, a taxa real de desemprego poderá ultrapassar 11%.

A pandemia tocou os trabalhadores de forma muito desigual. Numerosos trabalhadores de colarinho branco podem trabalhar a partir de casa com o seu computador. Os trabalhadores das atividades essenciais – hospitais, creches, agricultura, transformação de alimentos, comercialização de alimentos, de água, gestão de lixo, energia, transportes e alguns outros setores – foram mais expostos e sofreram mais a doença e registaram mais mortes.

Muitos destes trabalhadores são mulheres, negros, latinos e migrantes com ou sem papéis. A crise económica provocou igualmente uma crise fiscal levando a cortes orçamentais nos estados e cidades, uma redução de serviços e despedimentos de funcionários.

A 27 de março, o Congresso tinha adotada a lei CARES, um projeto de lei de estímulo económico de 2.200 mil milhões de dólares que deu apoio financeiro às empresas, aos governos dos estados e cidades, bem como aos trabalhadores. A lei CARES previa um pagamento único de 1.200 dólares a cada desempregado e as famílias receberiam mais 500 por criança. Seriam igualmente feitos pagamentos semanais suplementares (ou seja somando-se aos subsídios de desemprego pagos pelos estados) de 600 dólares aos desempregados mas estes terminaram a 31 de julho.

Os subsídios de desemprego pagos pelos estados variam consideravelmente, da Florida, que paga apenas 275 dólares por semana, ao Massachusetts que paga 803. Os direitos de alguns desempregados vão esgotar-se e alguns trabalhadores que eram pagos por debaixo da mesa não receberam nunca tais prestações. Tal como numerosos trabalhadores sem papéis nada receberam.

E a recessão continua: a United Airlines e a American Airlines despediram 30.000 trabalhadores, a Walt Disney despede 28.000 nos seus parques temáticos e a Allstate Insurance 3.800.

O Congresso debate atualmente um outro projeto de lei semelhante à lei CARES mas está bloqueado.

A pandemia e a depressão atingiram o povo americano. Dezenas de milhares de pessoas foram confrontadas com despejos, mas uma lei federal temporária, depois uma ordem dos

Centers for Disease Control (a administração sanitária) e certas leis estaduais impediram muitos despejos. Contudo, os senhorios despejaram muitos inquilinos e, em qualquer caso, as rendas devidas continuam a acumular-se. Quando a pandemia acabar e as moratórias às rendas forem levantadas, dezenas de milhões de pessoas deverão dezenas de milhares de dólares em rendas.

Os seguros de saúde, que nos EUA são geralmente assumidos por intermédio do empregador, são igualmente um problema. Quando os trabalhadores são despedidos, perdem o seu seguro de saúde. Segundo uma estimativa preliminar, até 27 milhões de pessoas perderam os seus seguros de saúde. Muitas pessoas não têm mais meios para ir ao médico ou ao dentista.

A insegurança alimentar é um problema crescente. Com a Covid, estima-se que uma família em cada quatro não tenha alimentação adequada e uma família com crianças em cada três tenha muito poucos alimentos. A insegurança alimentar é mais importante nos lares negros e latinos: antes mesmo da Covid, ele atingia respetivamente 19 % e 17 %, contra 7 % nos lares brancos. As organizações de solidariedade social fornecem agora alimentação a milhões de pessoas.

A crise climática

As alterações climáticas têm tido igualmente um impacto desastroso nos EUA com enormes incêndios na floresta da Califórnia, no Oregon e em outros estados do oeste e furacões e tempestades tropicais nos estados do golfo do México.

No sul da Califórnia, as temperaturas atingiram os 51 graus e o calor fez-se acompanhar de ventos violentos. Nestas condições, os incêndios, principalmente causados por relâmpagos, queimaram mais de dois milhões de hectares, destruíram milhares de casas e fizeram 34 mortes. Os incêndios também levaram a uma qualidade do ar perigosa para milhões de pessoas na costa oeste.

Tivemos duas dezenas de tempestades tropicais este anos; das quais oito foram furacões. Houve pelo menos 16.000 milhões de dólares de estragos materiais, numerosas casas e empresas ficaram em ruínas e perderam-se 125 vidas. Milhões de pessoas tiveram de ser evacuadas devido a incêndios e inundações e as atividades económicas foram perturbadas. Tudo isto contribui para o sentimento de catástrofe nacional.

As lutas sociais e a esquerda

A pandemia de coronavírus e a crise económica que a acompanha fecharam lugares de trabalho e escolas, tornando possível o maior movimento de protesto social contra o racismo da história americana. Entre 15 a 26 milhões de pessoas participaram nos protestos devido ao assassinato de George Floyd em Minneapolis a 25 de maio. O assassinato de Breonna Taylor pela polícia em Louisville e vários outros casos alimentaram igualmente a indignação.

Sob a palavra de ordem Black Lives Matter, as manifestações dirigidas pelos negros implicaram principalmente jovens de todas as “raças” e religiões. Os participantes usavam geralmente máscara e, por isso, não transmitiram novos surtos de Covid.

A polícia trouxe violência às manifestações através da sua utilização abusiva de bastões, de gás lacrimogéneo e gás pimenta e granadas “flash” (que cegam e ensurdecem temporariamente). Em resposta, alguns na multidão lançaram garrafas de água em plástico ou mandaram de volta o gás lacrimogéneo e alguns “esquerdistas” destruíram bens.

Houve também infiltrações de militantes nacionalistas brancos nas multidões, encorajando a violência na esperança de gerar uma guerra racial. Onde houve mortes, como em Kenosha e Portland, foi onde os manifestantes de direita ou mais raramente de esquerda estavam armados. Contudo, apesar das provocações policiais, 90% das manifestações foram pacíficas.

Ainda que as manifestações anti-racistas tenham sido enormes e combativos, o seu impacto foi limitado.

As manifestações despertaram a consciência do racismo na América. Os jornais publicaram artigos educativos, a televisão e a rádios e as redes sociais difundiram vídeos sobre a situação dos negros. As universidades, as agências governamentais e mesmo empresas privadas organizaram discussões sobre o racionais. Mas o movimento não tinha nem organização nacional nem partido político para falar em seu nome e as suas reivindicações políticas muitas vezes eram ou limitadas ou irrealistas.

A reivindicação mais importante do movimento era “cortar o financiamento da polícia”, uma exigência que alguns compreendem como uma redução do orçamento da polícia e a transferência destes fundos para serviços sociais, enquanto outros a interpretam como um apelo a abolir a polícia.

Ainda que as pessoas queiram acabar com o racismo e a violência policial, poucos querem a abolição da polícia, em particular nos bairros negros, latinos e brancos mais pobres nos quais as taxas de criminalidade são mais elevadas. Apenas a extrema-esquerda apela à abolição da polícia com pouco eco na sociedade em geral. Algumas cidades, pouco numerosas, reduziram o orçamento policial ou reafetaram créditos para serviços sociais, mas não muitos.

Houve ainda manifestações de trabalhadores, em particular trabalhadores da saúde, mas também dos transportes públicos, empregados de hotel e restaurantes e outros. Os sindicatos de enfermeiros convocaram ações de protesto em hospitais, clínicas e lares de terceira idade.

Numerosos trabalhadores de diversas indústrias fizeram curtas interrupções de trabalho ou greves. Contudo, os dirigentes da maior parte dos sindicatos nacionais não apoiaram estes movimentos; não defenderam a organização de protestos ou de greves. Os dirigentes sindicais contam com a eleição de um presidente e de um congresso democratas mais do que na mobilização dos seus aderentes.

Apesar de numerosas ações locais não houve nenhuma perspetiva de resposta nacional da classe operária à crise sanitária ou à crise económica.

A esquerda política cresceu. A mais visível e mais quantificável é a expansão dos Democratas Socialistas da América, DSA, que conta doravante com 70.000 membros. Outros grupos de esquerda – socialistas e anarquistas – cresceram igualmente e produziram novas páginas de internet, jornais e vídeos.

Apesar da esquerda se ter desenvolvido, continua muito pequena para ter uma influência significativa nos grandes acontecimentos políticos e sociais que se desenrolam. Os seus militantes participaram nas manifestações anti-racistas massivas, mas tiveram pouco impacto nelas. Alguns grupos de esquerda estão presentes nos sindicatos mas a maior parte são demasiado fracos para tomar iniciativas significativas. Globalmente, o nível da luta de classes permanece baixo e a esquerda pequena.

O Partido Verde continua a ser o mais importante à esquerda e o seu candidato presidenciais Howie Hawkins e a sua companheira de corrida eleitoral são ambos abertamente socialistas. Mas o partido nunca teve mais de 2% dos votos. O DSA, o maior grupo socialista, mostra pouca confiança no Partido Verde e não apoia os seus candidatos. A verdadeira confrontação política este ano é entre Trump e Biden.

Uma vez que há o risco de que a eleição seja roubada, grupos como o Protect the Results (protejamos os resultados), Defend Democracy (defender a democracia), Fight Back Table (ripostar), Working Families Party (partido das famílias trabalhadoras), Movement for Black Lives (movimento pelas vidas negras) e Majority Rising (a maioria levanta-se) trabalham para proteger o processo de voto e a contagem. Deverão talvez ter de ajudar a travar um golpe de força. Trump poderia, por exemplo, enviar agentes federais para ficar com os boletins de voto e reivindicar a vitória. O período entre as eleições de 3 de novembro e a instalação do presidente a 20 de janeiro poderá ser caótico, violento e decisivo para o sistema político norte-americano.


Dan La Botz é sindicalista, professor e escritor. É co-editor da New Politics.

Artigo publicado na Revista L’Anticapitaliste de outubro. Tradução de Carlos Carujo para o esquerda.net.

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