Está aqui

Cronologia da vida de Rosa Luxemburgo

Das suas origens polacas, ao período como estudante na Suíça até às vicissitudes da sua ação política na Alemanha, esta cronologia da vida de Rosa Luxemburgo apresenta-nos as principais etapas da vida da dirigente revolucionária.

Infância e juventude na Polónia

5 de março de 1871: Nasce em Zamość na Polónia Russa.

1873: Muda-se com os seus pais e irmãos para Varsóvia.

1880-14 de junho de 1887: estuda no Segundo Liceu Para Raparigas de Varsóvia.

Estudante na Suíça

Início de 1889: Deixa a Polónia para estudar na Universidade de Zurique.

1893: Co-funda a Social-Democracia do Reino da Polónia (SDKP, mais tarde SDKPiL) junto com Leo Jogiches, Julian Marchlewski e Adolf Warszawski.

Julho de 1893: Participa no 3º Congresso da Internacional Socialista em Zurique.

Julho de 1896: Participa no 4º Congresso da Internacional Socialista em Londres.

1897: Conclui o doutoramento na Universidade de Zurique.

Socialista internacionalista na Alemanha

Maio de 1898: Muda de Zurique para Berlim.

Setembro de 1900: Participa no 5º Congresso da Internacional Socialista em Paris.

16 de janeiro de 1904: Condenada a dois meses de prisão por “insultar o Kaiser”.

Agosto de 1904: Participa no 6º Congresso da Internacional Socialista em Amsterdão.

Dezembro de 1905-Março de 1906: Participa na “Revolução de 1905” em Varsóvia. É encarcerada na Cidadela de Varsóvia por atividades revolucionárias de março a junho de 1906.

12 de dezembro de 1906: Condenada a dois meses de prisão em Weimar, Alemanha.

Maio-Junho de 1907: Participa no Congresso dos Sociais Democratas Russos em Londres.

Agosto 1907: Participa no Congresso das Mulheres da Internacional Socialista e no 7º Congresso da Internacional Socialista.

Agosto-Setembro de 1910: Participa no 8º Congresso da Internacional Socialista em Copenhaga.

Novembro de 1912: Participa no Congresso Extraordinário da Internacional Socialista em Basileia.

25 de setembro de 1913: Faz um discurso em Fechenheim, perto de Frankfurt, apelando aos trabalhadores alemães para recusarem pegar em armas contra os seus irmãos franceses. Como resultado, foi condenada a um ano de prisão em de fevereiro de 1914.

Dezembro de 1913: Participa na reunião do Secretariado da Internacional Socialista em Londres.

Julho de 1914: Participa na reunião de emergência do Secretariado da Internacional Socialista em Bruxelas.

Ativista contra a guerra

5 de agosto de 1914: Na sequência do voto no Reichstag no dia anterior, no qual os Sociais-Democratas tinham votado a favor dos créditos de guerra, Luxemburgo co-funda o grupo anti-guerra Internationale Group que vai evoluir para se tornar a Liga Espartaquista.

18 de fevereiro de 1915-18 de fevereiro de 1916: Encarcerada na prisão para mulheres de Barnimstrasse em Berlim.

Fevereiro-Março 1915: Escreve o panfleto de Junius contra a guerra.

10 de julho de 1916: Presa em Berlim fica sob “custódia protetiva” durante os próximos dois anos.

8 de março de 1917: Revolução de fevereiro na Rússia.

8 de novembro: Revolução de outubro na Rússia.

Revolução

9 de novembro de 1917: Libertada da prisão de Breslau no dia em que a abdicação do Kaiser é anunciada e formado um novo governo por Max von Baden. Rosa regressa a Berlim e publicada o jornal Die Rote Fahne.

24 de dezembro: Conflitos em Berlim entre as forças governamentais e marinheiros revolucionários.

31 de dezembro de 1918/1 de janeiro de 1919. Co-funda o Partido Comunista da Alemanha (KPD) com Karl Liebknecht, Leo Jogiches e outros em Berlim.

5 de janeiro de 1919: Início do “levantamento espartaquista” em Berlim quando trabalhadores armados se manifestam contra a demissão do chefe da polícia de esquerda Emil Eichhorn.

15 de janeiro: Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht são presos pelos Freikorps. São levados para o Hotel Eden onde são interrogados. Liebknecht é levado para Tiergarten e morto. Luxemburgo é agredida à coronhada e forçada a entrar num carro. Depois é baleada na cabeça. O seu corpo é atirado para o canal Landwehr.

10 de março de 1919: O antigo amante e camarada de sempre de Luxemburgo, Leo Jogiches que era então o líder do KPD é preso e morto pelas forças governamentais em Berlim.

13 de junho de 1919: Na sequência da descoberta do seu cadáver a 4 de junho, finalmente ocorre um funeral em Berlim com a participação de milhares de trabalhadores.

Cronologia publicada originalmente aqui. Este site é publicado pelo historiador Rory Castle, doutorado pela Universidade de Swansea.

Traduzida e adaptada por Carlos Carujo

(...)

Resto dossier

Rosa, uma vida cor de luta

A revolução alemã faz cem anos. E com ela o assassinato de Rosa Luxemburgo, de Karl Liebknecht e de tantas e tantos outros. Ocasião para revisitar a vida e obra de Rosa Luxemburgo. Dossier organizado por Carlos Carujo.

A revolução esquecida

Revolução alemã? A expressão causará estranheza em muitas pessoas. O que se passou na Alemanha há cem anos foi apagado da memória coletiva. Mas não foi um detalhe. Foram momentos decisivos que se pagaram caro. Esmagada brutalmente primeiro e esquecida cinicamente depois, há que lembrá-la.

Rosa Luxemburgo, a marxista menos eurocêntrica?

A leitura de Isabel Loureiro da teoria da acumulação do capital de Rosa Luxemburgo vai além da mera análise dos seus “erros” como tem sido tradicionalmente feito por alguns autores. Loureiro revela uma economista que abre portas à compreensão do papel dos países periféricos na economia capitalista.

Rosa Luxemburgo: uma vida revolucionária

Rory Castle apresenta-nos a vida de Rosa Luxemburgo.  E conclui que "as suas ideias e por vezes a mera menção do seu nome continuam a provocar, inspirar e desafiar 'como o estalar de um trovão'."

Rosa Luxemburgo: um legado para as feministas?

Nancy Holmstrom discute o legado feminista de Rosa Luxemburgo à luz de alguns debates contemporâneos. Para além do exemplo de uma vida emancipada, haverá um feminismo de Rosa Luxemburgo?

O que quer a Liga Espartaquista?

Anti-militarismo, democracia de base, socialização dos meios de produção. Este texto programático foi escrito por Rosa Luxemburgo, publicado no final de 1918, e aprovado em seguida no congresso de fundação do Partido Comunista da Alemanha com poucas alterações.

Rosa Luxemburgo, uma teoria em ação

Gabriel Maissin sintetiza os aspetos fundamentais do pensamento de Rosa Luxemburgo: da polémica contra o revisionismo, à sua teoria da greve de massas, ao seu diálogo crítico com os bolcheviques e à sua teoria económica sobre “a acumulação do capital”.

Cronologia da vida de Rosa Luxemburgo

Das suas origens polacas, ao período como estudante na Suíça até às vicissitudes da sua ação política na Alemanha, esta cronologia da vida de Rosa Luxemburgo apresenta-nos as principais etapas da vida da dirigente revolucionária.

Cronologia da Revolução Alemã 1917-1920

Nesta cronologia mostra-se a sequência dos acontecimentos mais marcantes a revolução alemã. Desde a cisão partidária devido ao apoio da social-democracia ao esforço de guerra nacionalista até ao final do processo revolucionário.

De Rosa Luxemburgo à social-democracia libertária

Philippe Corcuff identifica no pensamento de Rosa Luxemburgo a possibilidade de uma via alternativa ao bolchevismo e ao anarquismo. A sua posição sobre a relação entre meios e fins da ação revolucionária seria assim a base de uma “nova política da emancipação”.

A Rosa vermelha e os coletes amarelos

António Louçã reflete neste artigo sobre a atualidade do pensamento de Rosa Luxemburgo no tempo da revolta dos coletes amarelos concluindo que “as alternativas pseudo-reformistas do nosso tempo confirmam o sentido mais geral da argumentação de Rosa Luxemburg sobre a natureza do reformismo”.

Michael Löwy: O pensamento de Rosa Luxemburgo (1ª parte)

Primeira parte de um texto de Michael Löwy, filósofo e sociólogo marxista brasileiro radicado em França, onde dirige o Centre National de la Recherche Scientifique (Centro Nacional de Pesquisa Científica).

Socialismo ou barbárie, Michael Löwy sobre Rosa Luxemburgo (2ª parte)

Segunda parte do texto de Michael Löwy sobre o pensamento de Rosa Luxemburgo. A primeira parte do artigo foi publicada no sábado, dia 19 de março.