Está aqui

Carris: É preciso voltar a apostar no transporte público

Desde 2011 que a Carris perde passageiros, perde trabalhadores qualificados, perde qualidade no serviço que presta à população da área metropolitana de Lisboa e a todos os que a visitam.
Foto de Paulete Matos.

Os cortes salariais desempenham um papel preponderante na enorme saída de trabalhadores, nomeadamente tripulantes, que se refletem no número de autocarros e elétricos que diariamente deveriam circular.

Desde 2011 até ao final de 2016, saíram da Carris 380 tripulantes e 212 trabalhadores de outras áreas.

Mediante a política de proibir a admissão de novos trabalhadores, ainda hoje ficam em média 56 serviços diários por realizar, e só não são mais porque existem tripulantes que realizam um volume de trabalho suplementar enorme, violando todas as normas legais, chegando ao cúmulo de existirem tripulantes que, em um mês, trabalham dois.

Esta situação tem graves consequências quer ao nível da segurança quer ao nível da saúde dos tripulantes.

O número de tripulantes que se encontram de "baixa" é enorme, a taxa de absentismo ronda os 15%, o número de tripulantes que foram retirados da condução definitivamente foi, em 2016, superior aos retirados nos últimos dez anos. Tudo isto sem contar com os retirados "temporariamente", que ultrapassam as quatro dezenas de pessoas.

Até ao final de outubro de 2016, foram contabilizados 28.000 dias de baixa, o que se traduz em 220.000 horas de trabalho.

O facto de o número de autocarros na rua se revelar insuficiente, obrigando a constantes cortes, dá origem a situações de grande stress, inclusive agressões, entre os passageiros e os tripulantes, o que leva, por sua vez, a um maior absentismo.

A falta de manutenção das viaturas tem contribuído também para o absentismo, as lesões músculo-esqueléticas nas lombares e cervicais são enormes, assim como os problemas psicológicos, traduzindo-se em enormes prejuízos para a empresa.

Neste momento, estão 50 autocarros a ser utilizados para "canibalismo", com peças que são retiradas destes para outras viaturas.

Este é o resultado da politica que o anterior governo impôs na Carris. A aposta que existia na privatização da Carris acompanhada de um desinvestimento total na empresa, está a ser combatida pelo atual governo e o Conselho de Administração, mas foram vários anos nesta situação e não vai ser fácil dar a volta. É necessário motivar os trabalhadores, voltar a apostar no transporte público, ganhar passageiros e a sua confiança.

(...)

Resto dossier

Transportes públicos: A urgência do debate

No dia 18 de janeiro, o Bloco levou os transportes públicos a debate na Assembleia da República. Urge responder ao processo de degradação do serviço prestado, que resulta da política de cortes cegos imposta por PSD e CDS. Dossier organizado por Mariana Carneiro.

Carris: É preciso voltar a apostar no transporte público

Desde 2011 que a Carris perde passageiros, perde trabalhadores qualificados, perde qualidade no serviço que presta à população da área metropolitana de Lisboa e a todos os que a visitam.

A emergência dos transportes públicos em Lisboa

Lisboa é hoje vítima das piores escolhas em matéria de urbanismo e mobilidade assumidas nas últimas quatro décadas. Por Ricardo Robles.

Transportes em Lisboa e no Porto: sobrelotação conjuga com protestos populares

No próximo dia 18 de janeiro, o Bloco de Esquerda leva os transportes ao debate na Assembleia da República: saiba porquê. Por Heitor de Sousa.

Revertida a privatização, que fazer nos transportes públicos do Porto?

A reversão da privatização dos transportes no Porto, que a Direita queria entregar a uma empresa estrangeira, foi uma vitória de todos os que se mobilizaram. Mas desde então, o que mudou? E o que falta fazer? Por José Soeiro.

No Metro de Lisboa falta tudo

A política de desinvestimento que foi iniciada pelo anterior Governo e a preparação da Empresa para a concessão a privados, levou o Metropolitano a um nível de degradação, nunca antes sentido. Por Pedro Peres.

Perigos do CETA: Exemplo da contenda entre Portugal e mexicanos da Avanza sobre Metro

Críticos internacionais do CETA apontam litigância entre Portugal e Avanza na reversão da privatização do Metro de Lisboa como bom exemplo dos perigos do acordo. Governo anunciou que rejeita levar litígio para tribunal arbitral nos EUA.

Para onde vai a STCP?

Com o novo governo e após a reversão do processo de privatização, deu-se uma grande mudança para melhor, mas ainda há muito para fazer. Por José Castro.

Não queremos uma STCP reduzida ao mínimo

Ganhar a luta pela reversão da privatização da STCP criou uma grande expectativa. A essa expectativa têm-se seguido muitas preocupações com o futuro da empresa. Por Isaque Palmas.

Não se pode adiar mais o investimento necessário no Metro do Porto

O investimento de hoje, que pode parecer um enorme encargo financeiro a curto prazo, quando eficaz e bem gerido, terá um retorno enorme a médio e longo prazo. Por Fernando Barbosa.