Luís Branco

Luís Branco

Jornalista

O episódio da votação apressada do Orçamento de Estado, combinado com a radicalização ideológica dos discursos do PSD e do CDS, mostram um Governo acossado e que está por tudo.

No ano passado, Passos dizia que Sócrates tinha perdido a confiança do país quando escondeu as medidas de austeridade que negociava em Bruxelas. Ao imitá-lo esta semana, mostra que já não tem nada a perder.

É já no dia 15 de setembro que o segundo ano do memorando da troika encontrará na rua a primeira grande resposta ao empobrecimento forçado de todas as gerações.

Alguns gigantes da banca mundial – aqueles que apostam contra as dívidas públicas e recolhem os juros pagos com os sacrifícios dos povos – andaram nos últimos anos a manipular as taxas de juro de referência para lucrarem ainda mais com a desgraça alheia.

Na bolsa portuguesa, as vinte maiores empresas viram a sua cotação cair 28% em 2011 e cortaram 11% nos salários dos trabalhadores. Mas a austeridade fica sempre à porta de quem manda: feitas as contas, cada presidente ganhou mais 5,3% que no ano anterior.

A desastrosa candidatura dos Verdes nas presidenciais francesas, amarrada ao acordo com o PS para as legislativas, confirma as palavras de Rui Tavares quando diz que "a moleza, em época de crise, é tóxica".

Quase um ano depois do 15-M, a violenta carga policial sobre os estudantes de Valência foi o detonador da resistência à austeridade repressiva do Partido Popular.

Em Barcelos, a distribuição da água foi concessionada a privados por trinta anos. Mas só demorou oito até levar o município à ruína.

Depois do apelo à emigração, o Governo despede-se de 2011 com a criação de um Balcão Nacional de Despejos.

Passados dois anos sobre a cimeira de Copenhaga e a maior mobilização social de sempre pela justiça climática, os países mais poderosos insistem em adiar o acordo que evite a catástrofe anunciada para o planeta.