O episódio da votação apressada do Orçamento de Estado, combinado com a radicalização ideológica dos discursos do PSD e do CDS, mostram um Governo acossado e que está por tudo.
No ano passado, Passos dizia que Sócrates tinha perdido a confiança do país quando escondeu as medidas de austeridade que negociava em Bruxelas. Ao imitá-lo esta semana, mostra que já não tem nada a perder.
É já no dia 15 de setembro que o segundo ano do memorando da troika encontrará na rua a primeira grande resposta ao empobrecimento forçado de todas as gerações.
Alguns gigantes da banca mundial – aqueles que apostam contra as dívidas públicas e recolhem os juros pagos com os sacrifícios dos povos – andaram nos últimos anos a manipular as taxas de juro de referência para lucrarem ainda mais com a desgraça alheia.
Na bolsa portuguesa, as vinte maiores empresas viram a sua cotação cair 28% em 2011 e cortaram 11% nos salários dos trabalhadores. Mas a austeridade fica sempre à porta de quem manda: feitas as contas, cada presidente ganhou mais 5,3% que no ano anterior.
A desastrosa candidatura dos Verdes nas presidenciais francesas, amarrada ao acordo com o PS para as legislativas, confirma as palavras de Rui Tavares quando diz que "a moleza, em época de crise, é tóxica".
Quase um ano depois do 15-M, a violenta carga policial sobre os estudantes de Valência foi o detonador da resistência à austeridade repressiva do Partido Popular.
Passados dois anos sobre a cimeira de Copenhaga e a maior mobilização social de sempre pela justiça climática, os países mais poderosos insistem em adiar o acordo que evite a catástrofe anunciada para o planeta.