Luís Monteiro

Luís Monteiro

Museólogo. Investigador no Centro de Estudos Transdisciplinares “Cultura, Espaço e Memória”, Universidade do Porto

Inacreditavelmente, está neste momento um processo em curso por parte do Porto de Leixões para o despejo deste estaleiro, instalado nas margens ribeirinhas do Douro, ao lado do Cais de Gaia.

As queixas que começaram a bater à porta das reitorias resumem casos de insulto permanente, exclusão social por parte de docentes, insinuações sobre a presença das brasileiras no país, tratamento inferior em residências estudantis.

Está na hora de assumir que a Ciência precisa de financiamento a sério e que não é num modelo que entrega migalhas de concurso em concurso que vai criar robustez e dignidade ao setor e ao trabalho dos seus profissionais.

O espírito crítico que compõem a missão universitária tem hoje duas grandes tarefas: não negar a evidência científica sobre a Covid19 e combater o discurso mesquinho da responsabilidade individual enquanto alfa & ómega do aumento do número de contagiados.

A política de propinas cria obstáculos no acesso à formação superior para as famílias de rendimentos baixos e médios, desincentivando a formação superior num país que já conhece a desigualdade no acesso a tantos direitos e bens públicos.

O período de confinamento a que estivemos todos sujeitos (incluindo a comunidade académica) podia e devia ter servido de alarme para o ano letivo que agora inicia ter sido preparado com outra prudência e antecipação. Da parte do Governo, foi uma oportunidade perdida.

Todos os estudantes nacionais e internacionais que não conseguiram pagar as propinas neste semestre por causa da crise da Covid-19, poderão pagar mais tarde sem que lhes seja negado o acesso a todos os atos académicos.

O grave episódio entre a professora Susana Peralta e os seus superiores hierárquicos não é uma exceção à regra. Há um debate que se abriu.

A novidade trazida pela pandemia é que o Estado é chamado a meter dinheiro para salvar a empresa, mantendo-se sem poder de decisão sobre a estratégia. Trocado por miúdos, paga mas não manda. Inaceitável.

Agora é o momento de apoiar. Todos os combates contra o abandono escolar são estratégicos para darmos um pontapé na crise.