Carlos Carujo

Carlos Carujo

Professor.

Dessuburbanizar é o nome que se propõe aglomerar os vários projetos e formas de resgatar a vida face à cidade da anti-estética que nos rouba o prazer de viver e da cidade das desigualdades que nos retira o direito à qualidade de vida.

O desafio é olhar para fora e responder à política da crise e, ao mesmo tempo, olhar para dentro e para fora e responder à crise da política.

Numa altura em que nos transformámos todos/as em vítimas do monstro da especulação, há ainda quem ache que se deve substituir a alimentação compulsiva do monstro por uma dieta saudável que ele seria simpático em aceitar.

O censo à nossa medida é a operação precária que esconde a precariedade que não cabe no bom senso.

Entra finalmente em cena a crise política esperada. E, sob o pano de fundo da crise económica, a austeridade encena-se como alternativa à austeridade. Daí que a tragicomédia da vida política portuguesa seja de má qualidade: um entretenimento ligeiro para fugir à realidade, previsível e pastoso.

Os governantes conservadores dos mais poderosos Estados europeus declararam estridentemente: o multiculturalismo falhou. Ao fazê-lo apoiam-se e estimulam preconceitos profundos da Europa “civilizada”, pronta a (re)descobrir bodes expiatórios em tempo de crise.

Fanático do toque de Midas da privatização, Passos Coelho, iniciou a segunda vaga de liberalização extrema do seu discurso.

A ditadura tunisina subsistiu apoiando-se nos pilares dos apoios políticos internacionais, da sua relação privilegiada com o ex-colonizador e da sua subserviência interesseira ao FMI.

A excepcionalidade é sempre uma má anedota. Não é nela que se encontra o segredo da política. Não é ela que resolve crises.

A criação de um banco público de terras é uma pedrada neste charco que muda muitas vidas ao colocar terra abandonada nas mãos de quem a quer (e pode) trabalhar.