Beatriz Realinho

Beatriz Realinho

Licenciada em Ciência Política e Relações Internacionais. Ativista política e das causas LGBTQIAP+, ambientais e feministas. Autora do podcast “2 Feministas 1 Patriarcado”

Mais um 25 de novembro e mais uma vez iremos sair às ruas em forma de luta e resistência. Quando pensamos neste dia lembramo-nos daquelas que são as múltiplas violências das quais as mulheres passam e sofrem todos os dias.

A última Marcha do Orgulho deste ano aconteceu em Viseu com a 5ª Marcha pelos Direitos LGBTQIAP+, e, por isso mesmo, é importante relembrar a importância de esta mesma luta.

A luta por um ensino democrático, descolonizado, livre de machismo, assédio e homofobia onde todas, todos e todes se sintam bem-vindes passa por um combate à praxe tal como a conhecemos, pela criação de espaços alternativos que façam frente ao capitalismo e ao fascismo.

O debate sobre os 50 anos do 25 de Abril e daquilo que ele representa hoje é bastante importante. Abril fez-se e faz-se para combater o conservadorismo que teima em querer calar-nos e levar-nos para outros tempos.

Seja vindo da Polónia ou dos EUA, também em Portugal os ventos do retrocesso se começam a fazer sentir naquilo que toca aos direitos, principalmente quando falamos do aborto.

Marchamos porque a luta e a liberdade são de todas as cores, porque ser hétero não tem que ser uma norma, e por um interior que se pinte de todas as cores e onde crianças e jovens possam existir na sua forma mais livre e real.

A luta feminista tem que ser assumidamente anticapitalista, pois o capital continua a recusar-se a sacrificar o bem-estar da maioria elitista para lutar por aquelas que se encontram mais vulneráveis.

Quando falamos das exigências temos também que falar sobre aquilo que desejamos ver no Interior. Para tal, é preciso deixar de olhar para este como um sítio onde “vale tudo”, onde a ideia da “Mineração Verde” parece vender, quando na verdade a temos que desconstruir.

Esta é a chamada para que no dia 8 estejamos todas juntas a fazer-nos ouvir. Somos danadas, somos insubmissas, sabemos que os nossos direitos não são dados adquiridos, que não se pode ser feminista sem lutar pela liberdade, e que esta luta é feita todos os dias.