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Abondar a luta

Mais um 25 de novembro e mais uma vez iremos sair às ruas em forma de luta e resistência. Quando pensamos neste dia lembramo-nos daquelas que são as múltiplas violências das quais as mulheres passam e sofrem todos os dias.

Mais um 25 de novembro se aproxima e mais uma vez iremos sair às ruas em forma de luta e resistência. Quando pensamos neste dia lembramo-nos daquelas que são as múltiplas violências das quais as mulheres passam e sofrem todos os dias. Porém, quando falamos dessas mesmas violências não nos podemos esquecer de que o trabalho precário e a invisibilidade do trabalho doméstico e dos cuidados são também uma forma de violência.

O capitalismo de mãos dadas com o patriarcado beneficiam da opressão daquelas que são vistas, socializadas e representadas enquanto mulheres, assumindo-nos com um olhar conservador daquilo que é a família e o papel da mulher, assim como a inserção precária e subalterna da mesma no mundo do trabalho. Desde que nascemos que somos socializadas para cuidar de outro, seja dos nossos filhos, pais, maridos, companheiros, da casa, da vida familiar, etc., sobrecarregando-nos com duplas e triplas jornadas de trabalho. Esta divisão sexual do trabalho e genderização das emoções acaba por contribuir para a continuação da inferiorização das mulheres, limitando-nos a atividades que remetem para o cuidar, inserindo-se assim a luta pela valorização dos cuidados e do trabalho doméstico dentro daquelas que são as lutas feministas.

Num panorama muito geral o trabalho dos cuidados sofre de um défice na oferta de direitos, tal como de uma forte precariedade e desvalorização salarial. Estas formas de violência acentuam-se quando falamos da situação de mulheres migrantes e racializadas. Assim sendo, este 25 de novembro vamos para as ruas com a consciência de que no sistema patriarcal nenhum direito pode ser dado como garantido, sendo necessária uma luta todos os dias em todos os espaços. O machismo, a homofobia e transfobia que existem ainda se fazem sentir, seja dentro de casa, nos serviços, nos espaços de ensino, no trabalho. Sentimos como é imperativo abondar os nossos espaços e corpos de luta, e que esta seja feita pela autodeterminação e respeito pelas mulheres racializadas e trans, lésbicas e bis, das precárias, das portadoras de deficiência, das cuidadoras, por todas.

A nossa ação enquanto sociedade é a de sairmos às ruas, desconfiando os nossos corpos em forma de protesto. Mostrar aquelas que são as nossas reivindicações e trazendo visibilidade naquela que é a luta pelo direito ao corpo, à integridade física e psicológica, da liberdade de ser e de existir por todo o mundo, independentemente de que parte dele lutamos. Seja no Irão, na Palestina, no Afeganistão, no Catar onde mulheres, pessoas LGBTQIAP+ e minorias étnicas continuam a lutar pela sua liberdade e a fazer resistência a qualquer forma de opressão. Fazemos tudo isto enquanto herdeiras das lutas feministas daquelas que vieram antes de nós e das resistências operárias e anticoloniais, pois este dia simboliza o dia contra a violência da ditadura do patriarcado dentro e fora de cada casa.

Sobre o/a autor(a)

Licenciada em Ciência Política e Relações Internacionais. Ativista política e das causas LGBTQIAP+, ambientais e feministas. Autora do podcast “2 Feministas 1 Patriarcado”
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