Beatriz Realinho

Beatriz Realinho

Licenciada em Ciência Política e Relações Internacionais. Ativista política e das causas LGBTQIAP+, ambientais e feministas. Autora do podcast “2 Feministas 1 Patriarcado”

O distrito da Guarda não tem nenhum deputado eleito pelo Bloco de Esquerda e sabendo das dificuldades de tal não baixamos os braços. Apresentamos um programa com propostas que acreditamos serem centrais para os próximos anos, colocando as pessoas no centro.

Atualmente enfrentamos um conjunto de crises que se foram agravando: a emergência climática continua a intensificar-se, a crise do custo de vida tem aumentado, num país onde os salários continuam baixos e onde querer uma casa para viver mais parece uma ousadia.

Mamadou Ba merece toda a nossa solidariedade, onde com ela denunciamos também a perseguição política da qual tem sido alvo. Esta decisão do tribunal significa a criminalização do antirracismo.

Damos o espaço público como garantido, e, por isso, não o reivindicamos, até nos darmos conta que este começa a desaparecer enquanto espaço de mobilidade e partilha entre os corpos que nele habitam (ou querem habitar).

A existência de vários casos provam como estas jornadas estão longe de reconhecer pessoas LGBTQI+, apesar das mensagens de apoio e empatia por parte do Papa.

Enquanto ativistas do Bloco de Esquerda lutamos por uma agenda política que seja verdadeiramente LGBTQI+ e anticapitalista, tendo em conta as dificuldades e desafios que enfrentamos.

A verdadeira essência das marchas acontece quando as mesmas são politizadas, com reivindicações fortes e, sobretudo, revolucionárias. Assim sendo, o maior significado que transmitem é o de marcarem a agenda política com debates importantes da população LGBTQI+.

Como mulher assusta-me o facto de saber que amanhã poderei ver os meus direitos limitados, à custa de uma política de constante desinvestimento na saúde reprodutiva, tal como na falta de fiscalização nas diversas unidades do SNS no que toca à IVG em diferentes territórios do país.

Três dos locais onde o Governo está com ideias de encerrar os serviços de maternidade são em territórios da Beira Interior: Guarda, Castelo Branco e Covilhã. Ora, ao longo dos últimos anos temos vindo a assistir àquilo que é um divórcio entre serviços públicos e interior.

Chegando ao fim deste ano marcado pelas eleições legislativas e a catástrofe dos incêndios que nos levaram boa parte dos nossos territórios, como foi o caso da Serra da Estrela, seria importante refletir estas nossas lutas e de como as levamos connosco na viragem do ano.