EUA

Trump e Musk em guerra aberta nas redes sociais

06 de junho 2025 - 17:24

O Presidente dos EUA não gostou das críticas arrasadoras do bilionário à sua “lei grande e bela” e ameaçou cortar os subsídios aos seus negócios. Musk respondeu acusando-o de ligações ao tráfico sexual e apoiando a sua destituição. Indiferentes à sua deriva para a extrema-direita, já há Democratas a cortejá-lo.

PARTILHAR
Elon Musk e Donald Trump
Elon Musk e Donald Trump na Sala Oval no dia da saída de Musk. Foto Francis Chung/EPA

Após alguns meses de colaboração estreita, o Presidente dos EUA e o maior financiador da sua campanha presidencial estão definitivamente de costas voltadas. O mal-estar de Elon Musk sobre a proposta orçamental de Trump - que o Presidente descreve como a sua “lei grande e bela” - já era conhecido, tal como as críticas ao aumento do défice que dela resultará, anulando as poupanças na despesa - que ficaram bem aquém do prometido - com os cortes cegos promovidos em toda a administração pública pelo seu Departamento de Eficiência Governamental (DOGE).

Com o fim do seu mandato de coordenador informal do DOGE, Elon Musk despediu-se da Casa Branca ao lado de Trump no final de maio, com direito a troca de elogios. Mas não foi preciso esperar muitos dias para o bilionário voltar a criticar a lei orçamental, classificando-a de “aberração nojenta”. Donald Trump disse estar “muito desiludido” com Musk e na sua rede social insinuou que as razões por detrás das críticas seriam o fim dos subsídios à mobilidade sustentável que iriam prejudicar os seus negócios. Em seguida foi mais longe e a afirmou que uma boa forma de poupar dinheiro aos contribuintes seria acabar com os contratos públicos milionários com as empresas de Musk. Trump afirmou ainda que Musk conhecia bem todos os pormenores da lei enquanto esteve ao seu lado na Casa Branca quando ela foi elaborada.

As palavras de Trump foram a gota de água para o bilionário, que subiu a parada também nas redes sociais, dizendo que o Presidente mentiu, pois sempre se opôs aos créditos para os automóveis elétricos e nunca teve acesso à proposta de lei orçamental. Musk acusou Trump de “ingratidão”, pois sem a sua ajuda não teria vencido os democratas e a seguir lançou o que chamou de “a grande bomba”: o nome de Trump estaria nos ficheiros do FBI sobre Jeffrey Epstein, o milionário acusado de tráfico sexual, incluindo de menores, para as suas propriedades onde recebia figuras de relevo das empresas e da política mundial. “Essa é a verdadeira razão por que [os ficheiros] não foram tornados públicos”, escreveu Musk, partilhando em seguida vídeos e publicações sobre a relação de Trump com o milionário que morreu enforcado na cela da cadeia onde estava detido em agosto de 2019. Mais tarde Musk partilhou um post a apelar à destituição de Trump e à sua substituição por JD Vance e lançou um inquérito sobre se é altura de criar um novo partido político.

Apesar da relação próxima com Trump desde a campanha eleitoral, a presença de Musk no círculo próximo do Presidente nunca foi bem recebida por um setor de apoiantes, onde se destaca o ideólogo do movimento MAGA. Ainda Trump não tinha tomado posse para o segundo mandato e já Steve Bannon prometia fazer tudo ao seu alcance para o expulsar da Casa Branca. Musk acabou por ter mais acesso à Sala Oval do que Bannon, agora sem cargos oficiais e a agir como conselheiro informal. Bannon disse agora ao New York Times ter aconselhado o Presidente a suspender todos os contratos com Musk e fazer a análise do seu processo de entrada nos EUA, considerando-o um “estrangeiro ilegal” que “deve ser deportado do país imediatamente”. Além disso, defende que as suas credenciais de segurança devem ser revogadas e investigadas as notícias que dão conta do seu uso de drogas e as tentativas de ter acesso a um relatório confidencial do Pentágono sobre a China.

Economia

Donald Trump – o tumulto programado

por

Claudio Katz

31 de maio 2025

Do lado da oposição Democrata, as opiniões dividem-se entre os que entendem que o partido deve ficar apenas a assistir à destruição mútua de duas personalidades com contornos megalómanos e quem veja nesta briga em público a oportunidade para atrair o bilionário de volta para as hostes do partido. A congressista Democrata da Califórnia Ro Khanna, ao mesmo tempo que sublinha a oposição às medidas do DOGE de Elon Musk, defende que o partido deve dar-lhe razão na atual disputa em nome dos incentivos ao uso de energias renováveis. “Devemos tentar convencê-lo que o Partido Democrata é o que tem mais dos valores com que ele concorda”, disse ao Politico a congressista que representa Silicon Valley. Mas há também quem ache, como o consultor de sondagens para os Democratas Evan Roth Smith, que Musk se tornou tão tóxico para o eleitorado do partido que acabou por manchar não apenas a sua marca Tesla, mas tudo o que se relacione com incentivos a automóveis elétricos.

Termos relacionados: Internacional