Tropas israelitas atacam Mesquita de al-Aqsa pela segunda vez em dois dias

17 de abril 2022 - 10:19

Depois de terem feridos 152 pessoas no raid anterior, este domingo de manhã as forças especiais israelitas voltaram a atacar este local de culto.

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Sexta-feira as forças israelitas entraram na Mesquita de al-Aqsa causando mais de uma centena de feridos. Foto de JAMAL AWAD/EPA/Lusa.
Sexta-feira as forças israelitas entraram na Mesquita de al-Aqsa causando mais de uma centena de feridos. Foto de JAMAL AWAD/EPA/Lusa.

Este domingo pelas 7 horas da manhã, hora local, forças especiais israelitas assaltaram a Mesquita de al-Aqsa. Segundo o Middle East Eye, elementos das autoridades israelitas entraram dentro do local de culto atacando, batendo e bloqueando as pessoas que aí cumpriam rituais do Ramadão de forma a abrir caminho para que alguns colonos pudessem entrar no local.

A mesma fonte refere ainda relatos de ter sido disparado gás lacrimogéneo e lançadas granadas de atordoamento. E que os médicos do Crescente Vermelho foram impedidos de entrar para prestar auxílio aos feridos. As pessoas que se encontravam na Mesquita ficaram presas durante mais de três horas e nem os feridos puderam sair.

As forças israelitas abriam caminho para que colonos e membros da extrema-direita israelita pudessem entrar nos pátios da Mesquita para comemorar a Páscoa judaica. O local é considerado pelos judeus ortodoxos como o Monte do Templo. Segundo a mitologia, aí teria sido construído um primeiro templo pelo rei Salomão, muito depois disso um segundo templo, destruído pelos romanos. Um terceiro templo será aí construído com a chegada do Messias, dizem, o que implica a destruição da atual Mesquita.

Ao mesmo tempo, na Cidade Velha de Jerusalém vários grupos de palestinianos atacaram com pedras os autocarros de israelitas que se dirigiam ao local. As forças policiais e militares reagiram e pelo menos nove pessoas ficaram feridas segundo o Crescente Vermelho.

Ao início da manhã da sexta-feira passada, as forças israelitas tinham já feito um ataque à Mesquita de al-Aqsa ferindo pelo menos 152 pessoas e detendo 450. Também nessa ocasião foram disparadas balas de borracha, lançado gás lacrimogéneo e granadas de atordoamento. Então, o imã desta Mesquita, Ekrima Sabri, tinha declarado tratar-se de um ataque “premeditado e orquestrado” para prevenir que os muçulmanos se deslocassem ao local facilitando assim a entrada dos colonos. Nesse dia, cerca de 30.000 crentes estariam em oração no local.

As incursões dentro do local de culto são tudo menos exceção. Acontecem quase diariamente mas costumavam diminuir durante feriados muçulmanos como o mês do Ramadão. Nos últimos anos isto tem vindo a alterar-se. E ainda que entrem na Esplanada das Mesquitas, a entrada na Mesquita propriamente dita é rara. Assim como o aparato mobilizado desta feita foi invulgar.

A entrada de não muçulmanos neste local religioso foi alvo de um compromisso entre a Jordânia, que tem a custódia de locais cristãos e islâmicos de Jerusalém, e Israel. A fundação Waqft é a gestora da Mesquita. Antes de 2000, esta utilizava um sistema de marcação de visitas que foi suspenso pelos israelitas. Depois da Segunda Intifada, as forças israelitas passaram a escoltar os colonos e a entrar pela força no local. O acordo previa ainda que apenas muçulmanos rezassem no seu interior e que os judeus pudessem fazê-lo no muro ocidental. Agora, com estes raids, os rituais religiosos judaicos destes grupos passaram também a ser cumpridos no interior. Em maio do ano passado, as forças israelitas utilizaram um nível semelhante de força para entrar na Mesquita durante o Ramadão.