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Trabalhadores de supermercados concentraram-se em frente a associação patronal

Os trabalhadores dos hipermercados e supermercados em greve por melhores salários, carreiras dignas e contra a retirada de direitos concentraram-se esta quarta-feira em frente à sede da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), em Lisboa.

A concentração contou com a presença de perto de duas centenas de trabalhadores dos super e hipermercados, grandes armazéns e logísticas das empresas de distribuição, oriundos de vários pontos do Norte ao Sul do país.

Em declarações aos jornalistas, Isabel Camarinha, do CESP - Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal, denunciou as permanentes pressões a que estes trabalhadores estão sujeitos. Já Arménio Carlos, líder da CGTP-IN, fez referência aos baixos salários no setor, que contrastam com os lucros milionários das empresas.

Em declarações ao Esquerda.net, José Soeiro sublinhou que “este é um setor que tem crescido, onde trabalham muitos milhares de trabalhadores em todo o país, centenas de milhar, e que é um exemplo de salários baixos, de paralisação da negociação coletiva por boicote dos patrões e de desigualdade laboral extrema”.

“No Pingo Doce, só para dar um exemplo, um trabalhador com salário mínimo tem de trabalhar  20 anos para ganhar o mesmo que o administrador da empresa ganha num mês. Esta desigualdade indecente é um bom exemplo do abuso e da desconsideração por quem trabalha”, avançou o deputado bloquista.

Conforme destacou José Soeiro, o debate sobre os leques salariais que o Bloco fará dia 28 “é também sobre isto. O debate sobre o Código de Trabalho, sobre a contratação coletiva é também sobre isto”.

Trabalhadores têm “todos os motivos para aderir à greve”

Em comunicado, o CESP - Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal explica que estes trabalhadores têm “todos os motivos para aderir à greve” e participar no protesto que teve início às 11h em frente à sede da APED em Lisboa.

Conforme assinala esta estrutura sindical, em 8 anos, os salários da tabela salarial do Contrato Colectivo de Trabalho subiram apenas 11,47 euros, enquanto os lucros das empresas cresceram em muitos milhões. Durante esse mesmo período, o poder de compra dos salários destes trabalhadores desceu mais de 10%.

Atualmente, os valores salariais são iguais ou pouco acima do salário mínimo nacional. Acresce que se registam acentuadas assimetrias regionais, com salários contratuais superiores nos distritos de Lisboa, Porto e Setúbal e inferiores em todos os outros distritos do país.

O CESP denuncia ainda que as lojas e armazéns funcionam todos os dias com menos trabalhadores do que os necessários para o trabalho existente, o que tem vindo a levar “à exaustão os trabalhadores que ainda resistem nos locais de trabalho” e que são confrontados com “horários de trabalho completamente desregulados e os ritmos de trabalho extenuantes que impedem a conciliação com a vida familiar e prejudicam a saúde”.

Por outro lado verifica-se uma “discriminação e gritante injustiça” na carreira dos operadores de armazém que reivindicam uma carreira idêntica à que está consagrada no Contrato Coletivo de Trabalho para os operadores de loja.

As empresas de Distribuição e a Associação Patronal não estão, contudo, dispostas a negociar o aumento dos salários, o fim da tabela B e a correção da injustiça na carreira profissional dos operadores de armazém sem contrapartidas, exigindo a redução do valor pago por trabalho suplementar".

O CESP considera que é “uma vergonha que as empresas de distribuição, Continente, Pingo Doce, Jumbo, FNAC, Dia Minipreço, El Corte Inglés, Lidl, e tantas outras, exijam a redução do valor pago pelo trabalho suplementar para aumentar os salários de todos os trabalhadores”.

“É uma vergonha que um sector com milhões de lucro (só em 2015 e 2016 foram mais de 400 milhões de euros de lucro) exija contrapartidas para negociar salários e condições de trabalho tão baixos”, frisa o Sindicato.

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