Em declarações à agência Lusa, Danilo Moreira do Sindicato dos trabalhadores de call-center (STCC) afirmou que a greve “correu dentro das nossas expectativas”. “Queríamos responsabilizar o Governo pela falta de regulamentação da nossa profissão, mas [esta greve] também foi um grito de alerta para, sobretudo em tempos da pandemia, a importância do nosso setor”, sublinhou Danilo Moreira do STCC.
Este dirigente do STCC considerou que não é possível apurar números de adesão à greve, porque o setor é composto por mais de 110 mil trabalhadores, muitos deles em teletrabalho, e 420 call-centers. Salientou, porém, que “houve uma redução no número de trabalhadores nos serviços”, com muitos associados do STCC a aderirem ao protesto.
Danilo Moreira anunciou que o sindicato vai tentar reunir com o Governo para tentar solucionar os problemas do setor, denunciando que os trabalhadores continuam a viver com baixos salários, desempenham um trabalho entendido cada vez mais como imprescindível, mas continuam “sem sequer terem a sua profissão reconhecida e valorizada”, apesar de trabalharem num setor com grandes grupos económicos e marcas nacionais e internacionais.
No pré-aviso de greve estão abrangidos todos os trabalhadores que prestem serviço na área dos ‘call centers’ e ‘contact centers’, em trabalho presencial ou teletrabalho, bem como nas áreas administrativas, em todo o território continental e regiões autónomas. Estão excluídos do pré-aviso os trabalhadores que prestem serviços “socialmente imprescindíveis”.
Pelo reconhecimento da profissão de trabalhador de call center
O sindicato, em comunicado disponível no facebook, salienta quatro reivindicações fundamentais destes trabalhadores: - reconhecimento da profissão de trabalhador de call center; - aumento geral dos salários; - promoção da contratação colectiva em todos os setores de actividade; - eliminação da precariedade e falso trabalho temporário.
“Somos nós trabalhadores/as de call center que damos a voz, suporte técnico ou ambos no apoio de ‘marcas’ como a NOS, MEO, Facebook, Google, Apple, Microsoft, Tranquilidade, Metlife etc. Somos nós que estamos nas linhas de apoio e suporte na Caixa Geral de Depósitos, no Santander, somos nós a ‘voz’ da EDP, até do SNS 24”, salienta o STCC, apontando que “como consequência da realidade atual […], os trabalhadores de ‘call center’ fazem cada vez mais trabalho essencial a todas as pessoas”.
O sindicato sublinha que “as maiores empresas de 'outsorcing' e trabalho 'temporário' que operam no sector especifico dos call centers viram o seu negócio expandir-se e crescer em todos os sentidos, desde logo nos seus lucros. Empresas estas que têm nomes e 'conselhos de administração' bem reais também, como Randstad, Teleperformance, Manpower, Intelcia, ou Sitel entre outras”.
E, aponta que as necessidades e o crescimento destes serviços, deviam traduzir-se “na eliminação da precariedade, falso trabalho temporário, bem como na eliminação do assédio laboral, jornadas e ritmo de trabalho extenuantes” e devia também traduzir-se “na valorização e aumento geral dos salários de todos e todas as trabalhadores/as de call center”, mas tal não acontece e “não poderia estar mais longe da realidade”.
Por tudo isso, se realizou a greve dos trabalhadores de call-center no Natal e está convocada nova greve das zero horas de 31 de dezembro de 2021 até às 23h59 de 1 de janeiro de 2022.