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Tiananmen: Museu dedicado ao massacre tem inauguração em risco

Está prevista para esta semana a inauguração do primeiro museu do mundo dedicado ao massacre de Tiananmen. Mas se for avante a vontade dos restantes proprietários da torre comercial no centro de Hong Kong, com ligações ao regime de Pequim, o museu não vai abrir portas.
Manifestações pró-democracia em Pequim duraram entre abril e junho de 1989.

A iniciativa foi de um grupo de oposicionistas chineses em Hong Kong. Nas vésperas de se assinalar o 25º aniversário do massacre da praça de Tiananmen, adquiriram um espaço no quinto andar no edifício Foo Hoo Center, em Hong Kong, para ali exibirem alguns materiais que fazem a história do protesto que abalou o regime chinês em 1989, reclamando mais democracia e transparência numa altura em que sopravam os ventos da “glasnost” empreendida pelo líder soviético Gorbatchov.

“Espero atrair tanto os estudantes de Hong-Kong como os visitantes continentais, para que a verdade sobre o massacre de 4 de junho possa passar para a próxima geração e espalhar-se no continente”, afirmou ao South China Morning Post Lee Cheuk-yan, porta-voz da Hong Kong Alliance in Support of Patriotic Democratic Movements of China, organizadora deste museu.

Mas a inauguração do museu está em risco porque os donos da empresa que detém o Foo Hoo Centre não estão a ver com bons olhos a iniciativa. Eles pretendem contestá-la em tribunal, alegando o incómodo causado à vizinhança e a falta de algumas licenças necessárias. Entre os membros do conselho de proprietários desta torre está o presidente de uma associação dos industriais de plástico, que de acordo com a agência noticiosa Xinhua, citada pela Reuters, é também conselheiro do PC chinês na província de Yunnan.

“Naturalmente que se trata de um processo político”, responde Lee Cheuk-yan. “Não acredito que alguém com sensibilidade fosse gastar do seu próprio dinheiro para abrir um processo, mas claro queeles não querem que se saiba quem está por detrás desta ação em tribunal”, acrescentou.

Lee espera que a loja de lembranças possa vender muitas pens USB cheias de informação, imagens e documentos sobre o massacre de Tiananmen. “Comparado com t-shirts alusivas ao 4 de Junho, acredito que as pens vão passar melhor na fronteira”

O debate sobre a repressão na praça Tiananmen é ainda um tabu na China, onde todos os anos militares são destacados para vigiar a praça e acabar à nascença com as esporádicas evocações do massacre. O número exato de mortos e feridos nunca foi dado a conhecer pelo governo de Pequim, mas a maioria das fontes, como a Cruz Vermelha e a Amnistia Internacional, falam em centenas de mortos dentro e fora da praça. Já em Hong-Kong, a data tem sido  assinalada com vigílias e concentrações.

Caso a inauguração do museu avance, Lee espera que a loja de lembranças possa vender muitas pens USB cheias de informação, imagens e documentos sobre o massacre de Tiananmen. “Comparado com t-shirts alusivas ao 4 de Junho, acredito que as pens vão passar melhor na fronteira”, diz o porta-voz do museu, que também apresentou uma réplica da Deusa da Democracia, uma estátua em menor escala mas semelhante à que os estudantes construíram na praça Tiananmen há 25 anos.

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