Samir Amin morreu este domingo aos 86 anos num hospital de Paris, onde se encontrava desde o fim de julho. Residente em Dacar há mais de 40 anos, ali dirigiu a partir de 1970 o Instituto Africano das Nações Unidas para o Desenvolvimento Económico e do Planeamento e, dez anos depois, o Gabinete Africano do Fórum do Terceiro Mundo, uma das primeiras ONG africanas, que junta académicos da África, Ásia e América do Sul.
Nascido no Egito, com mãe francesa, estudou no Liceu Francês do Cairo e prosseguiu estudos superiores em Paris, onde em 1957 se doutorou em Economia Política. Em seguida trabalhou para administração pública do seu país natal, de onde foi afastado, partindo para o Mali, onde foi adjunto do Ministério do Planeamento. Regressou à universidade em França, onde deu aulas e integrou o PCF. A saída do partido deu-se no fim da década de 1960, em apoio da corrente maoísta.
Samir Amin destacou-se no debate das ideias marxistas mas foi o seu trabalho sobre as relações de dependência nas relações entre o centro e a periferia do capitalismo, em particular a africana, asíatica e latino-americana, que marcou o seu legado. O seu livro “O Desenvolvimento Desigual”, publicado em França em 1973, tornou-o uma figura maior entre os críticos da globalização e também uma referência para uma geração de economistas africanos. Quase três décadas depois viria a testemunhar e a participar no nascimento dos movimentos alter-globalizadores. No início deste século, foi um dos promotores do Fórum Social de Porto Alegre, que se realizou na cidade brasileira de Porto Alegre, juntando dezenas de milhares de ativistas de todo o mundo.
O presidente senegalês Macky Sall expressou as suas condolências em nome do país, destacando a figura que “consagrou toda a sua vida ao combate pela dignidade de África, à causa das pessoas e dos mais desfavorecidos".
Il avait consacré toute sa vie au combat pour la dignité de l’Afrique, à la cause des peuples et aux plus démunis. Avec la disparition du Pr Samir Amin, la pensée économique contemporaine perd une de ses illustres figures. Mes condoléances émues au nom de toute la Nation. #Kebetu
— Macky SALL (@Macky_Sall) August 13, 2018
Também o líder do Partido da Esquerda Europeia, Gregor Gysi, lamentou a perda de “um líder do pensamento e um analista acutilante das relações do capitalismo”.