Qatar subornou membros da FIFA para organizar Mundial de futebol

02 de junho 2014 - 0:35

O jornal inglês Sunday Times garante que tem “milhares de emails, documentos e registos de transferências bancárias” que provam subornos na ordem dos cinco milhões de dólares para o Qatar acolher o Mundial2022 de futebol.

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Sepp Blatter, atual presidente da FIFA, e Mohamed Bin Hammam.

O valor, cerca de 3,3 milhões de euros, terá sido distribuído pelo qatari Mohamed Bin Hammam, banido em 2012 do Comité Executivo da FIFA, que integrava desde 1996, por acusações de suborno quando se candidatou à presidência do organismo.

Segundo o jornal inglês, Bin Hamman, que também foi presidente da Confederação Asiática de Futebol, pagou avultadas quantias de dinheiro a "altos dirigentes" do futebol mundial para garantir a eleição do Qatar como sede do Mundial 2022.

A decisão de eleger o Qatar foi tomada pelos 24 membros do Comitê Executivo da FIFA, em dezembro de 2010. Mas o dinheiro foi distribuída por mais dirigentes, justamente para que influenciassem na decisão de quem votaria. De África recebeu 4 votos.

Bin Hammam usou mais de dez fundos para fazer dezenas de pagamentos, de cerca de 150 mil euros, a presidentes de 30 federações de futebol da África. Outros 500 mil euros foram pagos ao presidente da federação de futebol da Costa do Marfim, Jacques Anouma, para “pressionar a favor da campanha do Qatar".

Anouma é membro do Comitê Executivo da FIFA e votou naquela eleição. Outros dois que votaram receberam outros cerca de 300 mil euros.

Os documentos também revelam que Bin Hammam pagou 931 mil euros para cobrir outros gastos de um ex-membro do Comitê Executivo da FIFA, Reynald Temarii. O beneficiário desse dinheiro acabou por não poder votar, uma vez que foi apanhado antes da eleição prometendo votos em troca de dinheiro.

Em março de 2014, o jornal inglês Daily Telegraph indicou que Bin Hammam havia pago quase 150 mil euros para outro ex-vice-presidente da FIFA, Jack Warner, de Trinidade e Tobago. O dinheiro foi depositado dias antes da votação.

O Sunday Times revela ainda que Bin Hammam pagou através de advogados a Warner, com o objetivo de retardar a sua expulsão da FIFA e que, portanto, pudesse votar na escolha da realização do país organizador do evento em 2022. A intenção era impedir que o seu lugar na FIFA ficasse vago, o que permitiria que fosse substituído por David Chung, que apoiaria a candidatura da Austrália.

No total, Warner terá recebido 1,180 milhões de euros de Bin Hammam. O acordo era claro: de um lado, o caribenho ajudaria Bin Hammam a ser eleito como presidente da FIFA em 2011, enquanto Warner votaria pelo Qatar para 2022. Os documentos provam a existência de depósitos do representante catariano na conta de Warner antes da votação que ocorreu em 2011.

Em 2010, a FIFA abriu um inquérito para investigar as denúncias de alegada corrupção nas escolhas da Rússia e Qatar para as edições de 2018 e 2022 do Mundial.

O advogado norte-americano Michael Garcia, que lidera as investigações, deverá entregar os resultados finais do inquérito até final deste ano.

Michael Garcia ia encontrar-se segunda-feira com responsáveis do comité organizador do Mundial 2022, mas, segundo a agência AFP, a reunião deverá ser adiada em virtude das denúncias de hoje do Sunday Times.