A maioria dos partidos inviabilizou nesta quarta-feira, na conferência de líderes parlamentares, o requerimento apresentado pelo Bloco de Esquerda para que o parlamento apresentasse queixa na Procuradoria-Geral da República por Rui Machete ter mentido a uma comissão de inquérito parlamentar.
O líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, acusou o Bloco de querer "instrumentalizar" o Parlamento "não por uma questão jurídica mas por uma questão política".
Para Pedro Filipe Soares, líder parlamentar do Bloco, o assunto não morreu. “Insistiremos nesta matéria porque achamos que a Assembleia da República não pode ficar refém desta mentira e dos interesses da maioria”, disse, afirmando que a AR não é só a conferência de líderes.
“Os deputados em plenário devem pronunciar-se sobre uma matéria tão grave como esta”, disse o deputado bloquista, sublinhando que “a Assembleia da República não pode ser manietada por aqueles que querem impedir que se alcance a verdade. Deve enviar a questão para o Ministério Público que julgará aquilo que aconteceu.”
Pedro Filipe Soares recordou que “há dias dizia o líder parlamentar do PSD que quem mente a uma comissão de inquérito comete um crime, que é o que de facto decorre da leitura da lei. Mas no entanto, essa ameaça para outros logo é metida na gaveta quando se trata de Rui Machete e aos interesses do PSD e do governo”.
O deputado insistiu que o hoje ministro dos Negócios Estrangeiros Rui Machete deu "uma informação falsa" ao Parlamento quando afirmou, numa resposta enviada por carta ao Bloco de Esquerda, que não era detentor de ações da SLN (Sociedade Lusa de Negócios).
Rui Machete afirmou na passada semana disponibilidade para prestar esclarecimentos ao Parlamento sobre o que classificou como "erro involuntário", depois de admitir ter sido acionista da SLN entre 27 de dezembro de 2000 e 30 de agosto de 2007, num esclarecimento dirigido ao semanário Expresso.